É uma das personalidades mais bem vistas na história de Portugal. D. Isabel de Aragão, padroeira da cidade de Coimbra, conhecida popularmente como Rainha Santa, era filha de Pedro III de Aragão e da princesa de Sicília, D. Constança de Hohenstaufen. Nasceu em Saragoça a 11 de fevereiro de 1220. De acordo com relatos da época, D. Isabel já mostrava em tenra idade ser muito generosa. 

Casamento

O casamento de D. Dinis, rei de Portugal, com D. Isabel surge numa altura em que se agrava "a instabilidade política da Península Ibérica. A morte de Afonso X, em 1284 viera pôr em causa o equilíbrio de forças (...)",  revela a revista Programa de Festas 2016 de Coimbra.

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Em Barcelona, a 11 de fevereiro de 1281, é feito o casamento por procuração. Um ano depois (a 24 de junho),  as cerimónias do casamento são realizdas em Trancoso. D. Isabel tinha 12 anos. Nesse mesmo ano, a 15 de outubro, o casal  instalou-se em Coimbra.

A pacificadora

Em 1287, D. Isabel resolveu os diferendos entre D. Dinis e o irmão Afonso Sanches. O mesmo aconteceu em Torrellas, em 1304, entre o seu irmão Jaime II, de Aragão e o seu genro Fernando IV, rei de Leão e Castela.

 Em 1311, D. Isabel convence Fernando IV a aprovar aprove o tratado de Alcanizes. Um acordo que definia de vez os limites territoriais de Portugal e do reino de Leão e Castela.

No ano seguinte. começa um longo conflito que só terminou em 1324. O marido D. Dinis e o filho D. Afonso (futuro rei Afonso IV) estão de costas voltadas.

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D. Dinis temia que D. Afonso o quisesse tirar do trono; já D. Afonso receava que o pai quisesse deixar o trono ao seu meio irmão Afonso Sanches. A Rainha Santa de tudo fez para impedir uma tragédia. Contudo, as suas intenções nem sempre foram interpretadas da melhor maneira pelo esposo, D. Dinis. 

Aos 66 anos (no seu últimos tempos de vida) voltou a resolver mais um problema familiar. O seu filho D. Afonso, agora rei de Portugal (D. Afonso IV), acabou por fazer as pazes com o seu neto, Afonso XI, rei de Castela. 

Obras caritativas

  • Em 1314, refundou o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha de Coimbra, local onde se diz que decorreu o famoso Milagre das Rosas. Reza a lenda que, um dia, a Rainha levava pães para distribuir aos mais necessitados, mas pelo caminho foi surpreendida por D. Dinis, que lhe perguntou o que trazia. D. Isabel disse que eram flores, D. Dinis ordenou que lhe mostrasse o manto e dali surgiram... rosas. 
  • Em tempos de crises agrícolas, D. Isabel vendeu jóias para comprar alimentos de forma a abastecer os celeiros do Mosteiro Santa Clara-a-Velha e oferecer regularmente comida aos mais necessitados;
  • Fez doações a hospitais (como por exemplo aos de Santarém e Torres Vedras),
  • Criou um albergue em Alenquer, para pobres e doentes;
  • Ajudou várias pessoas vítimas do terramoto de Lisboa em 1334.

Falecimento

A rainha acaba por falecer em Estremoz a 4 de julho de 1336, aos 66 anos. 

Por sua vontade, foi sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, a 11 de julho de 1336.

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Alguns séculos depois o seu túmulo foi transferido para o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, local onde ainda hoje se encontra. 

Abertura do túmulo

Em 1612, procedeu-se à primeira abertura do túmulo. Entre várias testemunhas deste feito, estiveram o médico Doutor António Sebastião (cirurgião-mor), Gonçalo Dias (Reitor da Universidade de Coimbra), D. Afonso Castelo Branco (bispo de Coimbra) e freiras.

Os resultados foram surpreendentes. O caixão estava ainda forrado de pele de boi, foram encontrados vários objetos da rainha (como o bordão). Quanto ao estado de conservação do corpo de D. Isabel, estava incrivelmente em boas condições, não existindo qualquer odor.  

Em 1852, a rainha D. Maria esteve no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. Ordenou que fossem trocadas as mortalhas da Rainha Santa Isabel. Quando se abriu o túmulo, constatou-se que o corpo da Rainha Santa continuava em bom estado. 

Beatificação 

A 15 de abril de 1516 Papa Leão X beatificou a rainha santa. Em 1625, o papa Urbano VIII canonizou-a. #História #Curiosidades