Um excelente policial, repleto de suspense, com indefinição do criminoso até às últimas páginas. De facto este é, quanto a mim, o ponto forte do livro. Mais do que a forma de escrita, a solidez dos personagens ou a caracterização dos espaços, o que se destaca em “A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert”, de #joel dicker, é mesmo a sua componente policial. Trata-se de um livro para quem gosta de crime e de mistério. Essa condição é essencial. Ao fim ao cabo, o principal fio condutor do livro é mesmo saber-se quem matou Nola Kellergan e porquê.

Outro aspeto que chama a atenção no livro são as passagens constantes entre o passado e o presente.

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Os tais 30 anos que medeiam o crime e a sua investigação. Duas histórias em paralelo, que se interligam de forma inteligente numa só: o passado de Harry Quebert, o seu quotidiano em Aurora, as idas ao café e a sua relação com Nola Kellergan; depois, a investigação de Marcus Goldman sobre esse mesmo primeiro cenário, com as naturais dúvidas e interrogações de quem quer investigar. Saber as razões. Decifrar. E a narrativa permite esses saltos no tempo sem que a mesma se torne desconexa. Mais um ponto forte do livro.

É de ressalvar também a própria componente de mistério que envolve “As Origens do Mal”, o livro da autoria de Harry Quebert cuja interpretação se alinha com os dois cenários. É o ponto de ligação decisivo, a porta que abre mais portas e que conduz o leitor às pistas necessárias.

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A peça que falta do puzzle. Uma peça que se vai encaixando página após página, sendo solta apenas nos primeiros parágrafos.

Agora falemos de pontos fracos. Eu concordo com algumas das críticas que têm sido feitas, em particular relativas ao discurso direto. São lamechas e pouco credíveis. Dá vontade de saltar em frente e de dizer “já percebi o que queres dizer, continuemos com a história”. Entre Harry e Nola, por exemplo, as falas tornam-se mesmo irritantes para quem as lê. São, na minha opinião, pouco reais e tiram um pouco de envolvência a todo este best-seller assinado por Joel Dicker, um dos grandes talentos da nova vaga da literatura europeia.

Por outro lado, não podia deixar de falar no trabalho de pesquisa e nos cenários. Não é fácil traçar um retrato tão fidedigno da pequena vila de Aurora, nos Estados Unidos. E não falo daquilo que é estudável e analisável. Falo dos pequenos gestos do quotidiano, da relação entre a polícia e a comunidade, da componente religiosa e das paisagens. A linguagem é simples. Como a boa #Literatura se pretende. Falar como se fala todos os dias de forma correcta é falar bem. E falar bem e para todos é típico de escritores inteligentes. Como é o caso de Joel Dicker! #a verdade sobre a caso harry quebert