Durante décadas, Lisboa foi alvo dos piores crimes levados a cabo por um serial killer. Nos primeiros anos de 1800, todos os dias, pessoas eram atormentadas enquanto atravessavam o aqueduto das águas livres como forma de cortar caminho no acesso ao centro da cidade. Diogo Alves foi o autor de dezenas de assaltos e mortes ocorridos na capital no século XIX.

Vindo do país vizinho, Diogo chegou a Portugal com apenas 10 anos. Desde novo que a maldade era evidente no seu comportamento. Mais tarde, o vilão viria a juntar-se a uma mulher de seu nome Gertrudes Maria, mais conhecida por "barreirinha". Diogo Alves começou por roubar os muitos comerciantes e habitantes que percorriam o aqueduto das águas livres a caminho de Lisboa.

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Depressa os assaltos passaram a assassinatos, provocando o terror na cidade. Estimam-se mais de 70 mortes no espaço de um ano.

Entre 1836 e 1839, quem ali passava descrevia o ambiente como uma cenário hediondo. Eram ouvidos gritos de pessoas que, atiradas do alto dos 65 metros do aqueduto, caíam desamparadas. No percurso de regresso a casa depois de um dia de trabalho, os comerciantes eram apanhados de surpresa, assaltados e por fim mortos às mãos de Diogo Alves. Estes acontecimentos levaram ao encerramento e à proibição de qualquer acesso ao aqueduto durante 20 anos.

Sem qualquer fonte de rendimento, Diogo Alves e Gertrudes Maria voltaram-se para o assalto a residências e estabelecimentos na cidade de Lisboa. A chacina continuou. No entanto, o fim do serial killer estava mais perto. Em 1840, o vilão acabou por ser apanhado pelas autoridades na sequência do assalto e assassinato da família de um médico.

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Em 1841 Diogo Alves foi formalmente acusado de homicídio e condenado à forca.

Na altura, houve alguém com um pedido especial a fazer: levar a cabeça de Diogo Alves. José Lourenço da Luz Gomes, cirurgião e fundador da antiga Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, pretendia estudar o cérebro de um assassino e compreender a razão dos comportamentos agressivos. Com a autorização do rei, a cabeça do serial killer de Lisboa foi decepada e conservada num frasco de vidro.

Décadas mais tarde, a famosa cabeça de Diogo Alves foi adicionada à coleção do Museu da Faculdade de Medicina. O crânio de um dos assassinos a quem foi aplicado a pena de morte continua, ainda hoje, conservado num frasco com formol. #História #Crime