É um artista português que trabalha com carne, sangue, urina e excrementos. #Artur Barrio, natural do Porto e a morar no Brasil, recebeu, a 3 de fevereiro, o Grande Prémio da Fundação EDP #Arte 2016. Para Barrio, "foi completamente inesperado". Surpreendido, admitiu que nunca imaginaria ganhar um prémio destes em Portugal, apesar de gostar muito do país. "Sinto-me confortável aqui, sou português e decidi manter a minha nacionalidade embora já não viva cá", sublinha. E confessa: "Saudades de cá já não sinto, mas gosto sempre de voltar sobretudo quando a minha obra é reconhecida".

O artista plástico de 72 anos, que ainda mantém um apartamento em Vila Nova de Gaia, já foi galardoado com o Premio Velázquez de Artes Plásticas de 2011. Sem uma mensagem para comunicar, Barrio cria no momento, sem ateliê nem projeto: "Com a minha obra, pretendo transportar um material que funciona dentro de uma certa condição para um local aonde ele não poderia estar, como a urina, excrementos, dejetos, unhas". Barrio utiliza materiais baratos e a sua obra raramente é exposta numa galeria de arte. O artista prefere espaços exteriores, pavilhões, museus, onde possa ter liberdade para criar: "Eu crio no momento, é preciso sentir o espaço, ver os materiais de que ele dispõe e só depois meto mãos à obra".

Obra "provocadora" não assusta presidente da EDP

"A obra de Artur Barrio põe-nos sempre a pensar, desafia-nos, é claramente provocadora". É assim que o presidente do conselho administração da EDP, António Mexia, define a arte de Barrio.

O júri do prémio, do qual também faz parte António Mexia, foi unânime na escolha. Algumas das obras mais conhecidas são um livro de carne e o lançamento de sacos orgânicos e dejetos para o rio Arrudas no Brasil. Intervenções que não assustam Mexia quando Barrio expuser na #Fundação EDP em Lisboa em finais de 2019. "Desde que a fundação não seja acusada de poluição, caso o artista decida lançar a obra ao rio, tudo bem. E desde que não pegue fogo a nada aqui", confessa o presidente da EDP entre risos.

O galardão dá 50 mil euros ao artista e promove uma exposição retrospetiva da sua carreira. O Brasil, país de residência do vencedor, representa entre 15 a 18% da quota de mercado da empresa de distribuição elétrica que promove o Grande Prémio Fundação EDP Arte 2016.