Na região de #trás-os-montes, mais concretamente na zona de Bragança, o #Carnaval não se celebra com trajes reduzidos nem samba no pé. Por aqui, as populações têm uma herança milenar: as tradições. O carnaval, de origem profana, é celebrado com a presença de criaturas mágicas e endiabradas: os caretos.

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Estes rituais remontam à época do Império Romano, na qual se realizavam celebrações milenares em honra de Pã, o protector dos pastores e dos rebanhos e que estavam relacionadas com a agricultura e o solstício de inverno.

Grupos de artesãos fazem os trajes típicos desta celebração com o intuito de ocultar a identidade daqueles que dão vida aos caretos. As vestimentas são confeccionadas com vários materiais: latão, madeira, cabedal e lãs de várias cores, que formam franjas dispostas em camadas alternadas (amarelas, vermelhas e verdes). Os mascarados ostentam também uma vara na mão, chocalhos à cintura e uma máscara assustadora.

Os rapazes da região disfarçam-se e correm, pulam, fazem travessuras, assustam os forasteiros e perseguem as raparigas solteiras, comportando-se como se “tivessem o diabo no corpo”. E, de facto, a ideia é mesmo essa, expurgar todos os males para dar início a um novo ciclo de renovação.

Atribuem-se a esta celebração/ritual diferentes significados: a celebração do solstício de inverno dando as boas-vindas à Primavera - período de fertilidade e renovação e também a passagem da adolescência à idade adulta.

Este ano, no dia 25 de Fevereiro, a celebração do carnaval dos caretos foi festejada em grande, contando com a presença de milhares de pessoas nas ruas da cidade.

As ruas do centro histórico ganharam vida com a presença de milhares de caretos portugueses e espanhóis, com gaiteiros e tocadores de bombos com música de Portugal e dos "nuestros hermanos" e com a participação de utentes de várias instituições, bem como de crianças de vários agrupamentos de escolas. O ponto alto desta celebração foi a "Queima do Diabo", que ocorreu na praça Cavaleiro de Ferreira. Sem dúvida que este tipo de iniciativa permite, para além de manter viva a chama das tradições que constituem a identidade de um povo, aproximar várias culturas e gerações.

Quem visitar a cidade tem oportunidade de ver algumas destas máscaras no Museu Ibérico da Máscara e do Traje. #História