Depois do polémico jantar da Web Summit no Panteão Nacional, o Jornal Expresso revela agora mais um controverso jantar realizado num monumento nacional sob tutela do estado. No Palácio da Ajuda, mais precisamente nas Salas Tronos, dos Archeiros, e D. João IV, realizou-se a 11 de novembro, uma festa de gala promovida por uma organização cultural italiana. Estiveram presentes 500 pessoas, sendo que as salas só têm capacidade para 300 pessoas. O Ministério da Cultura e a Direção Geral do Património Cultural, entidades responsáveis pela aprovação deste tipo de eventos nos monumentos públicos, estão novamente a sofrer contestações.

No Instagram já se vêm várias fotos alusivas ao evento.

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Pratos em cima dos corrimãos, ou mesas de catering muito próximas de tapeçarias e dos frescos, são algumas das situações preocupantes visíveis a partir das imagens que circulam na Rede Social. O Expresso adianta ainda que um "membro do Conselho de Curadores do Museu da Arte Antiga" chamou ainda a atenção para o fato de se ter feito da antiga capela... uma discoteca!!! O jornal aponta ainda para o "contacto com as pinturas murais da Sala dos Archeiros" (algo que não foi possível evitar, pois existiam poucos vigilantes em atividade nessa noite).

A Direção Geral do Património Cultural, através da sua assessoria, já confessou que o jantar realmente aconteceu, que teve meio milhar de convidados, e que realmente a velha capela deu lugar a uma discoteca (onde foi passada música ligeira). No entanto, não considera que se tenha desrespeitado a capela, pois, de acordo com palavras dadas ao Jornal Expresso , "o espaço foi dessacralizado, e foi transformado há 100 anos".

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E também desmente que tenha havido um número insuficiente de vigilantes,

O jantar serviu para apresentar o trabalho "Calendário Di Meo 2018", da autoria de Massimo Listri, um fotógrafo italiano. Este projeto foca-se em Lisboa e nas relações da capital portuguesa com Nápoles. A Di Meo Wines Art foi autora desta iniciativa.

O evento no Palácio da Ajuda rendeu 19.420€.

A história do Palácio da Ajuda

Em 1755, grande parte de Lisboa tinha sido arrasada por um fortíssimo terramoto. O Palácio real deixava de existir. A família real escapou ao brutal desastre por se encontrar na Ajuda e Belém, uma das poucas zonas que não teve grande impacto este fenomeno da natureza. É neste contexto que D. José decide fundar o novo palácio real: o Palácio da Ajuda, também designado de Real Paço de Nossa Senhora da Ajuda. Para além de D. José, D. Maria II, D. Miguel e D. Luís estabeleceram o Palácio da Ajuda como residência oficial.

Com o chegada da República, em 1910, o Palácio fechou as portas. Entre 1940 e 1968, só podia entrar no Palácio quem tivesse cartão da Direcção Geral da Fazenda Pública.

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Em 1968, passa a estar aberto sem qualquer restrição. De acordo com o site do Palácio da Ajuda: "Desde 1996, tem vindo a proceder-se à reconstituição, tão aproximada quanto possível, desta residência real, e várias salas foram restauradas com base em rigorosa investigação histórica". #sociedade #Educação #História