Este tributo almeja capturar tanto a sonoridade original da banda como o seu estilo em palco, que catapultaram os Queen para a fama, interpretando as canções ópera rock, os hinos e as baladas que colocaram os Queen, liderados por Freddie Mercury no topo de todas as listas de êxitos durante décadas’, anunciava-se, e... não foi decepcionante.

Sou fã dos Queen desde que me conheço, mas, infelizmente nunca tive oportunidade de os ver ao vivo, já que eles nunca vieram ao nosso país com a sua formação original. Em Espanha estiveram 8 vezes, entre 1974 e 1986, mas, na altura, eu era muito nova para que os meus pais permitissem tal viagem.

Sempre fui cética em relação a bandas de tributo, já que Mercury não é propriamente uma personagem fácil de substituir, seja pela sua voz ou pela sua magia em palco.

Mas esta minha ideia tem vindo a alterar-se, não no sentido de o substituir, neste aspecto sempre defenderei o mesmo, mas no sentido de aceitar que outros ‘personagens’ o interpretem. Afinal, é a única hipótese que tenho, assim como outros fãs, de ver um pouco da ‘força, emoção e genialidade musical dos Queen’ ao vivo...

O norte americano Adam Lambert conseguiu surpreender-me, e pela positiva, quando actuou com a banda original no Rock in Rio Lisboa. Não pretendendo imitar Freddie na sua figura, alcançou a imitação no seu ‘conceito’. A sua actuação foi brilhantemente louca. Julgo que teria agradado ao ‘original’...

Voltando aos Break Free, muitos os descrevem como o melhor tributo na Europa e como o mais semelhante ao original.

A banda vem de Itália e é formada por quatro músicos:

Giuseppe Malincolico, que interpretou bem a figura de Mercury, nos seus gestos, na mítica figura esguia, camisola de alças, blusão amarelo e bigode. A voz, ...bem, sabemos que não é fácil para ninguém, mas o solo ao piano do ‘Somebody to love’ conseguiu arrepiar-me.

Kim Marino, não desiludiu o enérgico Roger Taylor, à bateria, vestindo a emblemática camisola de riscas. Teve até um momento privado com o público, entusiasmando a audiência com o ritmo ‘Break Free’.

A Paolo Barbieri coube a difícil tarefa de imitar o também inimitável Brian May. Quem o vê mais longe do palco, a figura está também perfeita, no seu colete preto e farta cabeleira escura. Teve também uma performance a solo, muito boa.

Sebastian Zanotto foi substituído nesta actuação no #coliseu, mas, perdoe-me o artista, não fixei o nome, até porque acaba por passar mais despercebido na sua interpretação de Jonh Deacon.

‘One Vision’ abriu o espectáculo, mas não faltaram sucessos como ‘Play de Game’, ‘Radio Gaga’, ‘I Was Born to Love You’, ‘I Want to Break Free’ (com Freddie vestido de mulher), ‘The Great Pretender’, ‘Love of My Life’, e claro que não podiam faltar ‘Bohemian Rapsody’ e ‘We will Rock You’ com Mercury trajando a bandeira inglesa.

Terminaram com o hino ‘We are the Champions’. Depois voltaram ao palco para conversar com o público e tirar algumas fotos com alguns resistentes, tal como eu, que, talvez por me ter sabido a pouco, acabei por ficar por ali...

Um grupo profissional, com uma boa interpretação, muito simpático e acessível.

O próximo concerto desta banda será dia 20 de Janeiro, em Itália.

Por cá fica a sensação de ‘parte’ de um sonho realizado, a parte possível...

Conhecer os Queen

E, para quem não conhece a banda original, fica um pouco da história dos Queen, para mim e para muitos, a melhor banda de sempre:

Farrokh Bommi Bulsara nasceu em Zanzibar a 5 de Setembro de 1946, mas será eternamente recordado como Freddie Mercury, o insubstituível vocalista dos Queen.

Na altura, Zanzibar era uma colónia britânica, e os seus pais, indianos de etnia persa, colocaram-no a estudar no St. Peter Boarding School, uma escola inglesa. Foi aqui que, ao ter aulas de piano, deu os primeiros passos na #Música, e foi também nesta escola que começaram a chamá-lo de ‘Freddie’, hábito que se transmitiu aos seus pais.

Devido ao inicio da revolução em Zanzibar, em 1964 a família muda-se para Inglaterra.

Seguindo os passos de Pete Townshend, guitarrista, cantor e compositor dos The Who, Freddie formou-se em Design Gráfico na Ealing College of Art, o que o ajudou futuramente a criar o símbolo da banda.

É na faculdade que conhece Tim Stafell, baixista, que o levou a ver os ensaios da sua banda ‘Smile’. Roger Taylor era o baterista e Brian May o guitarrista.

1970 foi um grande ano para ele: Tim abandona a banda e ele substituiu-o como vocalista, mudando o nome desta para ‘Queen’ e o seu para Mercury.

É também o ano em que conhece Mary Austin. Estiveram juntos durante muitos anos, na primeira fase do grupo, quando ele ainda tinha cabelo comprido, pintava as unhas, usava roupas ousadas e... não tinha bigode.

Mas a popularidade dos Queen cresceu e Mary, deslocada num mundo de celebridades, acabou por se afastar, pensando que ele se desinteressaria dela. Embora separados, tal nunca aconteceu, ficaram sempre amigos, e Freddie escreveu várias canções sobre ela, como a bonita e comovente ‘Love of My Life’.

Aliás, as suas criações ficam no coração, seja pela profundidade, pela mensagem, ou pela força que transmitem. Sucessos como ‘We Are the Champions’, ‘Somebody to Love’, ou ‘Bohemian Rhapsody’, tornaram-se hinos eternos.

Lançou dois trabalhos a solo, muito aplaudidos, tanto pelo público como pela crítica:

Mr Bad Guy, em 1984, onde os temas 'Living On My Own', 'Made in Heaven', e 'I Was Born to Love You', se tornaram êxitos, talvez também inesquecíveis. Michael Jackson teve aqui uma participação especial em 'There Must Be More To Life Than This', que tinha sido originalmente gravada pelos Queen, em 1982, mas acabara por não sair no album Hot Space.

Em 1988 lançou o segundo trabalho, ao qual chamou ‘Barcelona’, onde contou com a participação da famosa cantora lírica espanhola, a soprano Montserrat Caballé.

Freddie Mercury morre a 24 de Novembro de 1991, em Londres, depois de assumir publicamente, um dia antes, que tinha SIDA e que era bissexual.

Um ano depois, em Montreaux, na Suíça, o seu segundo lar, onde descansou nos momentos mais difíceis da sua doença, foi inaugurada uma estátua em sua homenagem, com a inscrição "Lover of Life, Singer of Songs".

Os restantes membros fundaram "The Mercury Phoenix Trust", uma associação de caridade que organizou em 1992 um concerto para homenagear a sua vida e as sua criatividade. "The Freddie Mercury Tribute Concert" foi realizado no Estádio de Wembley, com 72.000 pessoas, e contou com as presenças dos Guns N' Roses, Def Leppard, Metallica, George Michael, Elton John, David Bowie, Robert Plant, Annie Lennox, entre outros. Foi transmitido pela televisão em mais de 76 países.

Com uma vida dividida entre ‘sexo, drogas e rock and roll’, Freddy Mercury é considerado pelos críticos como um dos melhores artistas de sempre, e como uma das melhores vozes, única, inconfundível, acrescento eu.

Numa pesquisa recente, realizada com vários músicos conhecidos, foi eleito o melhor cantor rock de todos os tempos.

«A fama e o sucesso deram-me tudo, excepto uma relação amorosa permanente. Eu devoro as pessoas e pareço destruí-las. Às vezes acordo com suores frios, com medo de morrer sozinho», confessou um dia.

Talvez no campo pessoal estivesse só, mas no universal nunca estará sozinho, estará sempre no coração de milhares de fãs.