A Red Bull anunciou a contratação de Max Verstappen, filho de Jos Verstappen, para a Toro Rosso, em (previsível) substituição de Jean-Eric Vergne. A notícia foi a maior surpresa do "defeso", aliás, do mercado de transferência da Fórmula 1 deste ano. Aos 17 anos, Max será o mais jovem piloto de sempre, batendo o recorde do neozelandês Mike Thackwell.

Em primeiro lugar, é o fim das esperanças de António Félix da Costa. Depois de ser preterido pelo jovem Kvyat, existia uma réstea de esperança para substituir Vergne - pois esperava-se, de facto, que o francês pudesse não ter ritmo para se manter. Assim, tornar-se bastante mais difícil não pensar que o português já perdeu o comboio que só passa uma vez.

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Perdeu contra os dois factores de maior peso na F1 actual, e que a pouco e pouco a descaracterizam: o dinheiro (Kvyat) e um nome (Verstappen).

Em segundo lugar, é interessante que seja Max a tornar-se no mais jovem piloto de sempre. Afinal, há 20 anos, o seu pai Jos foi considerado o exemplo clássico do piloto que é lançado demasiado cedo. Aos 22 anos, foi colocado como colega de Schumacher na Benetton. No ano do primeiro título do Hepta (e da morte de Ayrton Senna), Verstappen fez os possíveis para se adaptar a um carro que se revelou difícil - e o seu colega finlandês JJ Lehto, que ia alternando o lugar com ele, não fez muito melhor. Foi notório o desaparecimento da Benetton dos primeiros lugares nas 2 corridas em que Schumacher esteve castigado, nesse ano. As más línguas dizem que ele e Lehto não tinham controlo de tracção, exclusivo de Schumacher.

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Mas Briatore não contou com ele para o ano seguinte, trazendo Herbert. E se bem que Verstappen tenha sido um dos mais eficazes e espectaculares no fundo do pelotão, batendo habitualmente os seus colegas de equipas (como Rosset ou Mika Salo), e tendo batido o recorde de saídas e regressos à competição, nunca mais voltou a uma equipa de topo.

Parece, assim, de loucos esta súbita promoção de um menor adolescente, impossibilitado de tirar a carta de condução. E muitos apontam que este é o passo lógico numa F1 que se tornou mais fácil para os rookies, por ser menos exigente. Mas ainda que existam demasiados pilotos pagantes no fundo do pelotão, ainda assim existe algo que faz a diferença. O confronto entre Kvyat e Vergne assim o prova: se o russo está ali pelo dinheiro, como se explica que consiga ser mais eficaz que o seu mais experiente colega francês? Ainda que a experiência conte pouco, a capacidade de adaptação continua a ser importante - e não é possível, olhando os resultados, considerar Kvyat um simples pagante.

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No fim, como sempre, são os resultados que contam. Na verdade, se antes os pilotos chegavam ao topo mais tarde, é certo também que nunca como agora o treino e o profissionalismo foram tão necessários - e elevados. Como acontece em outros desportos: basta pensar no superprofissionalismo de Cristiano Ronaldo, desde muito antes de chegar à equipa principal do Sporting, aos 17 anos. Nesse aspecto, o legado de Senna prevalece sobre o de James Hunt.

Em 2001, Kimi Raikkonen foi recebido da mesma forma que Verstappen. A FIA deu-lhe um período experimental de 4 GP até lhe tornar definitiva a Superlicença, dada a evidente inexperiência do jovem, que não passou pela F3. Mas Peter Sauber mostrou que estava certíssimo nesta aposta, e só conseguiu segurar o menino na primeira época, antes de saltar para a McLaren. Veremos se a Red Bull acertou agora da mesma forma.