A temporada de Fórmula 1 começa a aproximar-se da sua fase decisiva. O bom trabalho da equipa Mercedes devolveu-nos uma luta entre colegas de equipa para o título, como já não se via há algum tempo. Para cada um dos pilotos, Hamilton e Rosberg, joga-se mais que um título de Pilotos, o objectivo máximo de todos os concorrentes. Joga-se o estatuto que cada um deles pretende deixar na História do desporto.



Hamilton já está na galeria dos campeões, com o seu título de 2008 conquistado por uma unha negra. Mas as suas performances nos últimos 5 anos deixaram sempre dúvidas sobre se seria, de facto, um campeão à altura dos maiores de sempre. A saída da McLaren, no fim de 2012, foi uma atitude corajosa e decisiva, que provou o seu carácter.

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Já conseguiu provar que foi também uma aposta acertada. Agora só lhe falta bater o seu rival de infância.



Desde que chegou à F1, em 2006, que Rosberg é reverenciado como um possível campeão e um dos mais talentosos. Foi com essa ideia que a Mercedes o contratou e a forma como se bateu com Schumacher só reforçou esse estatuto. No entanto, parecia sempre faltar-lhe aquele algo mais, em que o público sentisse que o filho do campeão de 1982 estivesse a superar os limites do seu carro. A oportunidade chegou finalmente: agora só lhe falta bater o seu rival de infância.



Sem rivais à altura e com carros iguais, Rosberg e Hamilton executam o "jogo de xadrez", 1 contra 1, que povoa o imaginário dos adeptos desde os tempos de Senna e Prost. Depois do longo consulado da Red Bull, é uma oportunidade única para cada um destes pilotos.

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E será necessário utilizarem todos os seus recursos de pilotagem, psicológicos e mentais para conseguir superar um adversário de grande nível.

Duelos como o que se viu na Hungria, em que Hamilton desobedeceu à ordem de equipa e não cedeu passagem a Rosberg, são esperados. Hamilton tinha toda a razão: sendo a luta para o título a dois, o britânico minimizou as perdas para o seu lado, com essa decisão. Mais do que não comentar, Rosberg deveria ter aplaudido esse gesto de rivalidade competitiva, a bem da Fórmula 1.



Este título será, assim, decisivo para o estatuto de cada um destes pilotos, e principalmente se o carro da Mercedes de 2015 não for tão bom como este - e/ou se os pilotos não conseguirem inverter essa eventual situação. Adivinha-se, por isso, um final de temporada muito interessante! A próxima corrida é já no próximo fim-de-semana na Bélgica, no célebre circuito de Spa.