O jovem titular do FC Porto, Ruben Neves, estreou-se a marcar no seu primeiro jogo na Primeira Liga. Com 17 anos, o menino de Lourosa está a bater recordes de juventude. É o mais jovem titular de sempre do FCP, e é também o mais novo português a jogar na Champions, batendo… CR7. É uma boa notícia para o futebol de formação português. Mas será um fogacho, um oásis no deserto, ou uma tendência para ficar?

Ruben é, por estes dias, o sonho de milhares de jovens por esse país fora. Mais do que CR7, que está no topo dos topos, Ruben está no topo da pirâmide nacional. Milhares de jovens aspiram a ser futebolistas profissionais.

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Esquecem-se que é mais difícil ser futebolista que ser médico: há menos vagas. Façamos contas "por alto". A Primeira Liga tem 18 clubes. Em média, o plantel de cada clube terá 22 jogadores. São cerca de… 400 vagas. Se somarmos os da Segunda Liga (24 clubes x 22 jogadores), temos 530 + 400 = um pouco mais de 1000 vagas. É preciso ter sorte, talento, determinação, tudo, para lá chegar. Mas quantos desses conseguem chegar lá acima, como está a fazer Ruben Neves? Não há vagas para todos. 

 E nem importa que venham estrangeiros: um "miúdo" com talento para jogar na Primeira Liga pode emigrar para muitas ligas profissionais por esse mundo. Nunca como agora houve tantos portugueses a jogar fora. O modelo de negócio dos clubes portugueses, actualmente, insere-se na mesma pirâmide. Reflexo do futebol sem fronteiras e globalizado.

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Os três clubes "grandes" compram barato para valorizar e vender caro aos clubes grandes e/ou ricos da Europa. E o que sai mais barato? Apostar na formação ou comprar jogadores sul-americanos? Os três "grandes" não querem perder dinheiro e certamente terão as suas razões de mercado para comprar fora.

Mas num momento em que o país se adapta a viver com menos, basta que haja uma época em que se vende menos (aos ricos) para as contas deixarem de bater certo. Existindo a necessidade de baixar salários, é provável que a capacidade de atracção de sul-americanos diminua (ainda que eles saibam que os "grandes" são bons trampolins para clubes maiores). E se isso acontecer, o jogador de formação lá estará à espera de oportunidade!

É até surpreendente que não seja o Sporting a lançar um Ruben Neves, uma vez que os leões têm, reconhecidamente, uma das maiores academias do mundo, e dado o discurso de contenção e "austeridade inteligente" do seu presidente Bruno de Carvalho. Em todo o caso, como sempre, o FC Porto trabalha e evolui sempre de forma mais discreta e silenciosa que os seus rivais de Lisboa - e tanto mais surpreendente, sendo estrangeiro o treinador portista, e portugueses os seus congéneres da capital.

Assim, a bem das famílias que têm jovens a trabalhar nas academias, das mães que sonham ser D. Dolores, e a bem da qualidade da Selecção Nacional de Futebol, temos razões para acreditar que é uma tendência que vem para ficar - e que mais Rubens Neves virão a caminho.