E eis que faltam 5 Grandes Prémios para terminar a época de Fórmula 1 2014, e o campeonato de pilotos voltou quase a zero, com os dois pilotos da Mercedes separados por apenas 3 pontos. Depois do GP da Bélgica, e do toque entre Hamilton e Rosberg que levou ao abandono do inglês e ao atraso do alemão, chegou a pensar-se que tudo estava decidido em favor do filho de Keke Rosberg. Ou, em alternativa, que a luta entre os Mercedes poderia aproximar Daniel Ricciardo, o "primeiro piloto" da Red Bull, que já levava três vitórias. Mas as corridas de Itália e Singapura serviram para obliterar esses cenários. Primeiro, numa luta onde alguns viram uma conspiração para aplicar um castigo a "auto-aceite" a Rosberg, e outros dois erros normais num piloto que foi mais lento todo o fim de semana - Hamilton recuperou 7 pontos e a Mercedes voltou às dobradinhas.

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Em Singapura, aconteceu o que ainda não tinha acontecido e era essencial para Hamilton: o abandono de Rosberg (por falha mecânica, tal como o inglês havia desistido logo na prova inaugural, na Austrália.) Com uma vitória tranquila, o inglês e o alemão preparam-se agora para uma disputa épica, nesta recta final.

Nem parece necessário que as últimas 3 provas, ou a última prova, contem o dobro dos pontos. A ideia de Ecclestone contou com a reprovação quase universal (de equipas, de pilotos, de público por todo o mundo), e agora, o velho líder já pondera mudar as regras a meio e deixar cair a ideia. Corrigir um erro é sempre uma boa atitude. Mas uma F1 presa ao modelo da TV paga, que não adere à internet, que perde audiências acreditando que é por os carros não fazerem barulho, que esbraceja com a perda de patrocinadores e a possível falência de equipas e por isso não se importa com a percepção clara que meio pelotão paga para lá estar - noção activamente veiculada pelos pilotos que não chegam lá, e assustadora em termos de credibilidade da categoria para o público - esta é uma F1 que parece não ter percebido o óbvio: como em qualquer empresa, se não há resultados, o CEO deve abandonar o cargo. Ecclestone tem de estar também na sua recta final. Mas até quando?