A Marussia e a Caterham estão ausentes da Fórmula 1. Os problemas financeiros que as assolavam, cada uma à sua maneira, acabaram por se encontrar praticamente em simultâneo. Ambas as equipas têm agora administradors nomeados como directores desportivos. E embora não esteja afastada a hipótese de regresso, o cenário é negro. No caso da Marussia, o investidor russo perdeu o interesse depois do GP do Japão. E no caso da Caterham, a venda da equipa por Tony Fernandes não foi bem sucedida. Em qualquer cenário, o motivo está bem identificado: as equipas independentes e não ligadas a um construtor automóvel não conseguem gerar dinheiro suficiente. São conhecidos os problemas que afectam Sauber, Force India, Lotus e até mesmo a própria Williams.

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As equipas de topo têm uma grande parte da responsabilidade, ao bloquearem iniciativas de repartição mais equitativa dos lucros.

O fenómeno de equipas que vão à falência não é novo. Em qualquer actividade empresarial, o risco de colapso está sempre presente. Para os portugueses, basta relembrar o exemplo da equipa Coloni, onde pilotou o português Pedro Matos Chaves em 1991. A equipa tinha recursos muito limitados, apenas 11 pessoas no total, e apenas 1 carro, e os resultados de Chaves foram sofríveis. O piloto portuense bateu com a porta antes do fim do ano quando lhe foi dito que teria de pagar do seu bolso a deslocação aos GP finais do Japão e da Austrália, e na verdade a equipa pouco durou depois disso.

Mas nesse tempo iam à falência projectos realmente mais amadores e sem meios, e não havia qualquer risco "sistémico" no meio do pelotão.

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Hoje em dia, a situação é diferente: é notório que grande parte das equipas gasta mais do que recebe e que o desporto está num sério risco financeiro, como provavelmente nunca esteve desde que se tornou profissional. A possibilidade de as equipas de topo colocarem três carros (algo que desapareceu depois dos anos 50 e 60) só havia sido considerada como hipótese marginal, e não como uma possibilidade real como agora. Além disso, a perda de credibilidade é também notória: há 20 ou 15 anos, só pilotos "fora da lei" diriam que havia competições automobilísticas comparáveis ao gosto e desafio de um F1. Hoje em dia, são inúmeros os pilotos fora do plantel - e até mesmo dentro… - que apontam que há demasiados pilotos pagantes e que em outras competições têm mais potência, mais desafio, mais desporto e menos política. Entretanto, Bernie Ecclestone continua a não gostar do Facebook. 

No caso da Marussia, arriscamos dizer que é pena que não tenha falido um mês antes, pois Jules Biachi não teria tido o seu acidente gravíssimo no GP do Japão e estaria provavelmente são e salvo.