A Comissão de Ética da FIFA anunciou os resultados do inquérito ao processo de escolha da organização dos Mundiais de Futebol 2018 e 2022. Os vencedores, Rússia e Qatar, foram postos em causa por uma denúncia de corrupção da federação inglesa (a Football Association). O veredicto é negativo e inclui ainda uma reprimenda ao queixoso. Mas o investigador-chefe não aceita a interpretação da FIFA ao seu relatório.



Quanto ao Qatar, a FIFA declarou que os comportamentos problemáticos foram encontrados em "indivíduos específicos" e não põem em causa o processo de escolha no seu todo. A denúncia referia que um elemento da federação qatarense havia efectivamente comprado os votos de vários elementos da Comissão Executiva da FIFA.
Quanto à Rússia, a Comissão aponta apenas que foram entregues poucos documentos para análise do inquérito levado a cabo durante 18 meses, depois dos primeiros rumores em Janeiro de 2013. Oficialmente, os restantes documentos estariam, segundo a FIFA e de acordo com o Público, "em computadores alugados que foram devolvidos e destruídos."
Quanto à Inglaterra, a FIFA repreende o país fundador do futebol, com o campeonato mais interessante e transparente do mundo, acusando a Federação inglesa de querer manchar a imagem da FIFA. E ainda de ter, ela própria, tentado obter vantagens junto de um ex-presidente da Federação mundial.



De forma surpreendente, horas depois deste comunicado da FIFA, o procurador americano Michael Garcia, responsável pela investigação, veio a público exigir a revelação total do documento. Garcia repreende a FIFA pelas "representações dos factos materialmente incompletas e erradas", e vai apresentar recurso da decisão, segundo o Público. Nomeado investigador independente pela Comissão de Ética, Garcia entregou as suas conclusões em Setembro, mas a FIFA preferiu manter o relatório confidencial.



Já hoje, e na sequência destes acontecimentos, surgem as declarações do sempre "outspoken" Eric Cantona, antigo internacional francês. Cantona passa ao lado do facto de a FIFA ignorar a investigação independente e ser juiz em causa própria, referindo simplesmente (de acordo com o portal Sapo) que foi um erro a atribuição do Mundial a um país sem população, que as pessoas "vão ser pagas para irem aos estádios", mas deixando no ar a acusação implícita: o Qatar é "um país rico que pagou" para ter o Mundial de 2022.