O Comité Olímpico Internacional (COI) pretende que o mais recente escândalo de doping no atletismo russo seja investigado o mais rápido possível. Na base desta investigação está a suspeita levantada no documentário "Doping: como a Rússia fabrica os seus campeões", transmitido pela estação de televisão alemã ARD, que mostra a dopagem como algo bastante comum no atletismo russo. Segundo o porta-voz do COI, Mark Adams, estas "são acusações graves", e caso se provem verdadeiras serão tomadas medidas. Adams referiu ainda que o presidente da Agência Mundial Antidopagem (AMA), Craig Reedy, já expôs o caso à Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), que entretanto já iniciara uma investigação nesta quinta-feira.

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Campeã olímpica dos 800 metros envolvida no caso

O mesmo documentário revelou também o nome de alguns atletas suspeitos da utilização de substâncias dopantes. Mariya Savinova, atual campeão olímpica dos 800 metros, é uma das envolvidas no escândalo. Num vídeo de câmara oculta, a atleta russa foi filmada a tomar anabolizante oxandrolona (esteroide anabolizante que dá benefícios musculares e energéticos).

Outras das implicadas no caso é a maratonista Liliya Shobukhova. A atleta, vencedora da Maratona de Londres de 2010 e atualmente a cumprir castigo devido ao uso de substâncias proibidas, foi filmada enquanto confessava ter pago cerca de 450 mil euros à Federação de Atletismo Russa, para esconder um controlo antidoping positivo, que viria a permitir a sua participação nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

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Doping é prática comum na Rússia

Yevgeniya Pecherina, lançadora de disco russa que está suspensa até 2023 por utilização de substâncias proibidas, foi bastante dura nas acusações que fez quando foi entrevistada para o documentário. A atleta referiu que 99 por cento dos atletas russos utilizam substâncias não autorizadas para melhorarem o seu rendimento desportivo.

Witali Stepanov, antigo diretor da agência russa de antidopagem, confessou que para além do uso de doping, existia também um sistema de subornos que permitiam esconder os casos positivos. Vários representantes de federações desportivas do país, não apenas do atletismo, mas também de outros desportos como a natação ou o ciclismo, deslocavam-se até às salas onde eram realizados os controlos antidpoing e ofereciam uma grande quantia de dinheiro aos controladores para que estes abafassem os casos positivos. Stepanov acrescentou ainda que a sua esposa, Yulia Rusanova, atleta de 800 metros e atualmente suspensa por doping, foi consumidora assídua de substâncias proibidas durante vários anos.

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Yulia terá confidenciado ao marido que todos os desportistas na Rússia se dopam, pois só assim é possível obterem bons resultados. Apesar das acusações feitas por este casal, Witali Stepanov e Yulia Rusanova, aparecem também implicados no esquema. Ambos são acusados de terem facultado substâncias dopantes proibidas a vários atletas russos, em troca de cinco por cento dos seus salários.

Entretanto, a Federação Russa de Atletismo já afirmou que tudo não passa de uma mentira. A agência russa antidopagem, a Rusanda, também negou ter cometido qualquer tipo de ilegalidade.