O Atlético de Calcutá venceu este sábado a primeira edição da Indian Super League (Super Liga Indiana) de #Futebol. No jogo decisivo, a filial do Atlético de Madrid bateu o Kerala Blasters por 1-0. O encontro foi disputado no estádio de críquete DY Patil, que esta época foi remodelado para acolher também partidas de futebol. Cerca de 50 mil pessoas estiveram presentes, comprovando o êxito da competição.

Baseada no modelo da liga de críquete - o desporto mais popular na Índia -, que movimenta mais de três mil milhões de dólares, a Indian Super League atraiu atenção e investidores para o país. Muito graças à presença de grandes estrelas do desporto-rei na Europa, em fim de carreira.

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Alessandro Del Piero, Robert Pirés, Freddie Ljungberg, Nicolas Anelka ou David Trezeguet são apenas alguns dos nomes que aceitaram o desafio de tentar promover o futebol em terras indianas (a troco de bom dinheiro).

O resultado está à vista. Cinquenta e seis milhões de indianos assistiram à primeira jornada da Indian Super League, uma audiência 15 vezes superior à registada pela outra liga doméstica, a I-League. É certo que os números desceram até aos 11 milhões na quinta ronda do campeonato, mas, ainda assim, ficaram acima dos verificados naquele país em jogos do Campeonato do mundo. "O futebol na Índia já é maior do que toda a gente pensa", disse Arunava Chaudhuri, director executivo do Mumbai City FC.

Os donos das oito novas equipas da liga pagaram cerca de 25 milhões de dólares por um contrato de dez anos.

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As principais ligas do mundo, como Espanha ou Inglaterra, estão representadas, assim como os maiores patrocinadores do futebol mundial.

A Indian Super League foi criada a pensar na televisão e é um torneio de 10 jornadas, com um vencedor, mas não há equipas despromovidas. É vista como o primeiro passo para tornar a Índia numa potência futebolística a nível global e coincide com o crescente investimento que tem vindo a ser feito a nível amador. Em 2017, a Índia vai receber, pela primeira vez, uma competição mundial de futebol, o Campeonato do Mundo de Sub-17.

"Se queres construir alguma coisa, precisas de dinheiro e há muito dinheiro na Índia", disse Robert Pirés, antiga estrela do Arsenal, que recebeu qualquer coisa como 750 mil dólares para jogar pelo Goa FC os três meses que dura a competição.

Pode parecer estranho, mas a Índia nem sempre foi um país de críquete. Até à década de 1960, o futebol era o principal desporto. Uma equipa indiana chegou mesmo a ser campeã asiática. Mas a falta de investimento levou a que o futebol se fosse tornando cada vez mais insignificante: a selecção indiana está neste momento no 171.º lugar do ranking da FIFA.

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Mas os impulsionadores da Super Liga acreditam que, com uma classe média a crescer, disposta a gastar dinheiro em entretenimento, e com milhões de amantes de futebol no país, que actualmente acompanham os campeonatos europeus, é possível haver dois desportos nacionais na Índia: futebol e críquete. O futebol há muito que olha para a Índia, com uma população superior a 1.2 mil milhões de pessoas, como um gigante adormecido, à espera de se tornar no maior mercado desportivo do mundo.