Continuam os dias difíceis para Paulo Sérgio na Académica. O treinador é cada vez mais contestado em Coimbra e, hoje, um grupo de cerca de 15 adeptos invadiu o treino da equipa (à porta fechada), insultando técnico e jogadores. Segundo a Antena 1, Paulo Sérgio ficou bastante desagradado com o sucedido e terá mesmo sido necessária a intervenção dos atletas para serenar os ânimos. Em conferência de imprensa, que deveria ter sido de antevisão do jogo de amanhã com o Rio Ave, para a Taça da Liga, o treinador manifestou o seu desconforto.

"O que se passou esta manhã foi uma situação difícil de gerir. A mim só me ofende quem eu quero ou quem eu deixo, não é qualquer um que tem capacidade para o fazer.

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É desagradável", declarou o técnico dos "estudantes", acrescentando que este tipo de episódios "influencia o rendimento dos atletas". Por outro lado, o técnico fez questão de explicar que não está "agarrado" a um segundo ano de contrato que tem com a Briosa e "jamais iria exigir um euro" dessa segunda época caso saísse do clube. "As pessoas estão enganadas", garantiu. Paulo Sérgio deixou ainda um recado aos seus jogadores: "não nos podemos deixar abalar psicologicamente, nem no #Futebol, nem na vida. Temos de reagir aos momentos difíceis, temos de ter peito".

Esta não foi a primeira vez que os adeptos do conjunto de Coimbra foram até à Academia do clube para manifestar o seu desagrado com o treinador e com a prestação da equipa. Há umas semanas, elementos da claque Mancha Negra compareceram num treino com bóias insufláveis, deixando uma clara mensagem.

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"Como o barco está a afundar, e ninguém nos agarra, deixamos umas bóias, porque tudo fazemos para te salvar", lia-se numa faixa. Já nessa altura, Paulo Sérgio se mostrou bastante agastado com a situação, criticando a atitude dos adeptos. Também nos jogos, os academistas têm demonstrado a sua posição, com lenços brancos, cartazes a pedir a demissão (do treinador ou da direcção?) e algumas palavras menos bonitas dirigidas ao técnico. Situação que valeu mesmo uma "reprimenda" aos sócios feita pelo presidente José Eduardo Simões na mais recente assembleia-geral do clube.

Ainda hoje, o candidato derrotado às últimas eleições da Académica, Nuno Oliveira, abordou a actualidade da Briosa, apontando o dedo aos dirigentes. "Aquilo que eu esperava da Direcção é que viesse a terreiro, falar aos sócios e explicar porque é que, há três meses, dizia que com este plantel se iria lutar pela Europa e, quando os resultados negativos se começaram a avolumar, nunca se ouviu uma palavra do presidente sobre o actual momento da equipa.

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É incompreensível que os sócios não obtenham uma explicação sobre aquilo que se está a passar", afirmou, em entrevista ao programa Bola Branca, da Rádio Renascença.

No final da primeira volta, os "estudantes" são o 16.º classificado na Liga, com 12 pontos, a apenas um da linha de água. Há 11 jogos que a equipa não vence para o campeonato (a única vitória foi em Arouca). É a pior primeira volta da Académica neste milénio, como referia ontem um trabalho jornalístico publicado pelo Diário As Beiras. A Briosa joga amanhã no Estádio Cidade de Coimbra com o Rio Ave, em jogo a contar para o Grupo D da Taça da Liga.