O episódio já tem mais de dois anos, mas só recentemente foi revelado, a propósito do Campeonato do Mundo de #Futebol Feminino que se avizinha e do sexismo que ainda vigora no desporto-rei. A jogadora americana Abby Wambach contou que, na gala da Bola de Ouro, celebrada na Suíça em 2013, passou por uma situação bastante incómoda quando o presidente da FIFA, Josepp Blatter, confundiu a sua mulher, a também futebolista Sarah Huffman, com a goleadora brasileira Marta. "Marta, que alegria ver-te. És a melhor, a melhor!", terá exclamado Blatter para Huffman, que se havia casado com Wambach uns meses antes, no Hawaii. "Acontece que a Sarah é loira e a Marta é bem morena", disse, indignada, a norte-americana.

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O caso é ainda mais incrível se tivermos em conta que Marta é uma verdadeira estrela e ganhou cinco Bolas de Ouro como melhor jogadora do mundo. Prémios atribuídos precisamente pela FIFA. Para Abby, só há uma explicação. "Ainda não percebo como é que ele foi capaz de confundi-las. Para mim foi uma bofetada. A prova de que ele não quer saber do futebol feminino", declarou, ainda meio aturdida, numa recente entrevista à Sports Illustrated.

A entrevista teve como pano de fundo o Mundial de Futebol Feminino, que em 2015 se realiza no Canadá, e a desigualdade de género que ainda reina no mundo do futebol. A este propósito, um grupo de senadores dos Estados Unidos, liderado pelo democrata Sherrod Brown, escreveu uma carta a Blatter, exigindo-lhe que trate "com respeito e dignidade" as futebolistas que vão participar na prova este Verão.

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Isto depois ter sido confirmado que os jogos se vão realizar em relvados artificiais. Sessenta jogadoras já apresentaram um processo por discriminação no Tribunal de Direitos Humanos. Exigem disputar o Campeonato do Mundo "em relvados naturais, como se jogam os mundiais masculinos".

Abby Wambach, Bola de Ouro em 2012, aproveitou a presença na gala de Zurique da semana passada para abordar o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, a quem fez uma proposta: disputar os jogos do Mundial em relva artificial, menos as semi-finais e a final, que pediu para que fossem jogadas em relvados naturais. Valcke recusou a oferta. "Não nos vamos negar a jogar, mas a desilusão é grande", afirmou a norte-americana.

Entretanto, o ex-jogador francês David Ginola, que diz querer concorrer com Blatter às eleições para a presidência da FIFA de dia 29 de Maio, defendeu que "o melhor seria celebrar o Mundial masculino e feminino ao mesmo tempo e no mesmo país".