#Futebol é sinónimo de festa, seja em que canto do Mundo for. Mas em África, o desporto rei tem outra cor, outra sonoridade mesmo quando se realiza num país liderado por um ditador. É o que vai acontecer a partir deste sábado quando a selecção da casa, a Guiné Equatorial, der o pontapé de saída frente ao Congo na edição 2015 da Taça das Nações Africanas (CAN). No entanto, há uma figura incontornável nesta competição, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, presidente guineense que comanda aquele país há já 35 anos.

Aproveitando o facto de Marrocos ter desistido de organizar, à última da hora, esta CAN 2015, devido ao surto do vírus do Ébola, Obiang fez uso do seu poder e "chegou-se" à frente para receber a maior competição de selecções do continente africano.

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Depois de co-organizar em 2012 este mesmo torneio em conjunto com o Gabão, o presidente da Guiné Equatorial terá agora todos os holofotes virados para si, depois de "salvar" esta CAN.

No poder desde 1979 depois de gerar um golpe de Estado contra o próprio tio, o também tirano (quem sai aos seus…) Francisco Macías Nguema, Obiang chegou a ocupar diversos cargos de poder no país, até chegar onde nunca mais saiu, até aos dias de hoje. Considerado pela revista Forbes como o oitavo homem mais rico do mundo, a Guiné Equatorial é actualmente um dos países mais pobres do planeta. Apesar de ser desde a década de 90 um dos maiores produtores de petróleo, aquele país localizado no oeste da África Central tem elevadas taxas de pobreza, onde 20 por cento das crianças morrem antes dos cinco anos.

Ex-colónia espanhola (o castelhano é a língua oficial), a Guiné Equatorial viu aprovada, há menos de um ano, a sua adesão à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas para tal, teve de suspender a medida de pena de morte que vigorava no país.

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Numa decisão envolta em polémica, outros factores como a corrupção, a pobreza, as detenções arbitrárias, os julgamentos injustos, os maus tratos a prisioneiros ou as limitações à liberdade de imprensa e de expressão foram pontos que estiveram em cima da mesa e que continuam a praticar-se.

Apesar do sistema rígido de Obiang não permitir sequer que seja avaliado o nível de percepção da corrupção, é no país no qual o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) está no limite da pobreza que este sábado a alegria e o colorido do futebol vão encher de sorrisos a Guiné Equatorial. Até 8 de Fevereiro, vai respirar-se liberdade no território do ditador.