Eusébio da Silva Ferreira, falecido há 1 ano, foi um atleta e um desportista de incríveis capacidades. Presença obrigatória em todas as listas, tabelas e rankings sobre os melhores jogadores de futebol de todos os tempos, ele aparece frequentemente no top 10 dessas listas, e alguns colocam-no mesmo no top 5 ou no top 3, perdendo quase só para Pelé e Maradona. Além do seu génio e da sua determinação, Eusébio distinguiu-se também pelo seu profissionalismo, assumindo-se como um Ronaldo "avant la lettre", um super-atleta que era o primeiro a chegar ao treino e o último a sair. E embora muitos o acusem de ter levado um estilo de vida demasiado descontraído depois de abandonar os relvados, Eusébio nunca pôs em causa a sua carreira - ao contrário do que fez, por exemplo, Garrincha, o "anjo das pernas tortas" brasileiro, cuja genialidade foi abreviada pela dependência do álcool. Na verdade, foi precisamente toda essa determinação, o amor pelo futebol e pelo jogo que o mantiveram nos campos até muito mais tarde do que todos acharam razoável - e os atletas do União de Tomar que com ele jogaram em 1977/1978 não esqueceram esse privilégio. 


Eusébio marcou mais de 700 golos, sendo 614 pelo SL #Benfica, 41 pela selecção nacional e os restantes pelos outros clubes por onde passou. Ganhou 11 campeonatos nacionais da 1ª divisão, 5 taças de Portugal e 1 Taça dos Clubes Campeões Europeus. Ganhou a Bola de Prata (melhor marcador da 1ª divisão) por 7 vezes, sendo o detentor do maior número, e venceu a Bola de Ouro (France Football) em 1965, e a Bota de Ouro (melhor marcador do Campeonato do Mundo) em 1966, tendo marcado 9 golos no célebre campeonato de Inglaterra.

Além de todos os feitos desportivos, Eusébio foi também e acima de tudo um exemplo de humildade e de humanidade. Um dos momentos que ficou para a história foi o cumprimento ao guarda-redes Stepney na final da Taça dos Campeões Europeus de 1968, que colocou frente a frente SL Benfica e Manchester United. A poucos minutos do fim, com o jogo empatado a 1 bola, Eusébio fuzila a baliza dos Red Devils mas o remate é parado de forma brilhante por Stepney. A reacção de Eusébio é cumprimentar e dar os parabéns ao adversário. Os ingleses acabaram por vencer, após prolongamento, por 4-1. Stepney contou depois que, no calor do momento, nem prestou muita atenção ao Pantera Negra, mas mais tarde teve a oportunidade de "retractar-se" e conviver de perto com Eusébio.

Junte-se, a esta história, uma atitude anti-vedeta, sempre actuando com grande simplicidade e naturalidade, sem esquecer as suas raízes moçambicanas - ainda que a política o tenha "forçado" a optar por Portugal no calor da descolonização. E sempre também sem nada pedir ao Benfica, que por vários anos dele se esqueceu, até o recolocar no seu lugar natural de símbolo e embaixador do clube. Como disse alguém, para ter uma estátua em frente ao estádio da Luz é preciso ser um eusébio, e por isso é que só existe uma.