É um dos jogadores de poker mais famosos do mundo. E também um dos mais bem-sucedidos. Em 2009, ganhou dois milhões e meio de dólares e coroou-se jogador do ano do World Poker Tour. "Mas estava desgastado e pensei que estava pronto para me acomodar. Não demorou muito a perceber que estava errado", contou Faraz Jaka numa recente entrevista à CNN.

"Aterrei em Chicago e, por algum tempo, pensei que tinha tudo: um apartamento no 43.º andar do premiado edifício Aqua, com janelas que vão do chão até ao tecto com vista para o Millenium Park", descreve. Antes, Jaka tinha passado dois anos - depois ter acabado o curso, em 2007 - a viajar pelo mundo e a jogar poker.

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"Demorou cerca de seis meses até começar a sentir saudades da estrada. Senti-me preso a um contrato de arrendamento de 18 meses e à mobília que tinha comprado", prossegue.

"Comecei a reconhecer um sentimento que, por vezes, temos no poker, quando investimos muito numa mão e, mesmo tendo a sensação que vamos perder continuamos a jogar. Mas temos de ter disciplina para deitar as cartas fora e seguir em frente. E foi isso que eu fiz", explica.

Avancemos até 2012. "Viajei por 45 cidades, 13 países diferentes, apanhei 57 voos. Trabalhava pelo caminho, a jogar os principais torneios de poker e a jogar online, mas estava a vivenciar muito mais que isso", revela. "Em 2013, as minhas viagens levaram-me a retiro espiritual num templo budista duma pequena ilha da Tailândia", continua o jogador norte-americano.

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Durante 10 dias, viveu sem qualquer posse (entregou tudo, incluindo o portátil e o iPhone 6, no início do retiro). "Comecei a perceber as minhas experiências, o que elas significam, e aquilo de que estava à procura. Nunca tinha estado tão feliz e não tinha absolutamente nada", exclama. "Afinal, não precisava de um armário cheio de roupa, apenas o tipo de roupa certo. O meu guarda-roupa está agora organizado estrategicamente com roupas e sapatos versáteis que posso misturar para estar preparado para qualquer tipo de ocasião. Passo os dias a trabalhar em cafés à volta do mundo. Muitas vezes, refiro-me ao Starbucks como 'o meu escritório'", ilustra.

Durante quase quatro anos viveu apenas com uma mochila com cinco t-shirts, dois pares de sapatos ("um mais formal, para os torneios, e outro casual, para o dia-a-dia"), três camisas e um casaco ("para o caso de chegar a uma mesa final num torneio com transmissão televisiva ou para sair à noite"); uns calções de banho; carregadores e cabos ("para poder carregar e ligar vários monitores para trabalhar na estrada"); e o portátil.

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"Não é preciso ser um jogador profissional de poker para ter um estilo de vida como o meu. Oiço sempre as mesmas desculpas: 'se eu tivesse o teu dinheiro, faria exactamente como tu', ou, 'não posso simplesmente deixar tudo e viajar, como tu. Tenho amigos e família que se preocupam comigo e gostam de mim'. A minha resposta é que é sempre possível encontrar uma razão pela qual 'não podes' fazer alguma coisa", atira.

"Vivemos num mundo onde a internet está em todo o lado e podes trabalhar através do computador. Vivemos num mundo onde podes arrendar um apartamento e viver lá umas semanas a um preço acessível. Até manter relações com amigos e família é mais fácil, com a possibilidade de fazer videochamadas de qualquer sítio, como as montanhas do Peru ou o alto da cidade de Tóquio. Mudar requer esforço e, mais importante, desprendimento. A verdade é que vivemos num mundo em mudança. E nunca foi tão fácil libertar-nos", conclui.