Foi ontem conhecido mais um caso dramático no #Futebol português. Caio Aviles, brasileiro de 22 anos, chegou a território luso há quatro meses pela a mão do empresário Sérgio Neves. O acordo passava por jogar até Janeiro na Naval 1º Maio, para depois dar o "salto" para a Segunda ou até Primeira Liga. O médio acabou por nunca jogar sequer pelo emblema da Figueira da Foz, que o despejou do apartamento onde vivia, tendo ainda sido abandonado pelo empresário que o mandou "ir vender pizzas". Sem dinheiro para regressar ao Brasil, pediu ajuda ao Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF).

Num anúncio feito na sede do organismo, o jovem avançado contou os pormenores de um processo que cedo se percebeu que tinha algo de errado.

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Caio afirmou que foi o próprio que pagou ao empresário pelo seu certificado internacional: "Vim para Portugal há cerca de quatro meses com a promessa de que ia ter visibilidade na Europa. O meu empresário e o clube [Naval] não pagaram o certificado e tive de pedir um empréstimo à minha mãe no valor de 2300 euros". Com a promessa de passar apenas meia temporada no Campeonato Nacional de Seniores, o brasileiro acabou por nunca jogar pela Naval, porque o clube não tinha dinheiro para pagar os descontos para a Segurança Social: "Treinei sempre na Naval 1º de Maio. Não cheguei a jogar porque, assim que aterrei, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) questionou a minha legalidade, e deu-me vinte dias para regularizar a minha situação", explicou o brasileiro de 22 anos.

Gorada a hipótese de "arranjar" um cidadão português que se responsabilizasse por ele, Caio Aviles acabou por ver o tempo a passar e foi abandonado pelo clube da Figueira da Foz, que deixou de contar com o canarinho, informando-o que tinha de abandonar o apartamento onde vivia e que era pago pela Naval.

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Ao saber da situação, o ex-jogador do Atlético Paranaense entrou de imediato em contacto com Sérgio Neves, o empresário que o trouxe do Brasil, que rejeitou qualquer tipo de ajuda, mandando o futebolista ir "vender pizzas".

Sindicato dos Jogadores vai pagar viagem de regresso ao Brasil

De mãos e pés atados, visto não conhecer ninguém em Portugal, Caio Aviles decidiu pedir ajuda ao Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. Ao tomar conhecimento da situação dramática do brasileiro, que não tinha onde dormir, nem dinheiro para comer, o organismo presidido por Joaquim Evangelista demonstrou o seu total apoio e solidariedade para com o futebolista canarinho: "Esta é uma situação que começa a ser recorrente em Portugal. Há jovens que alimentam o sonho de jogar na Europa, criam-se expectativas e de um momento para o outro veem-se abandonados, sem casa, sem comida, sem viagem de regresso e é preciso dizer basta e acabar com esta irresponsabilidade", afirmou o dirigente, confirmando que Caio vai regressar hoje [terça-feira] ao Brasil, com a viagem a ser paga pelo SJPF.

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No final da conferência, Joaquim Evangelista confirmou ainda que o caso vai ser denunciado ao Ministério Público, ao SEF, à Liga, à Federação Portuguesa de Futebol, ao ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho) e à FIFA, de forma a que jogador seja ressarcido do valor que gastou.