Ontem o Estádio dos Barreiros estreou parte das novas bancadas, na recepção do Marítimo ao Sporting de Braga. Os verde-rubros já não venciam os arsenalistas desde 2007/08. A má fase dos madeirenses no campeonato também não augurava nada de bom e o golo dos forasteiros logo aos 5 minutos só vinha confirmar isso. Mas, de repente, o Estádio dos Barreiros transformou-se num autêntico "Caldeirão" e tudo mudou, dentro e fora de campo.

Tenho 37 anos e vou aos Barreiros desde que me lembro de ser gente. Já vi o Marítimo jogar noutros estádios, em muitos até, em Portugal e no estrangeiro, mas a nossa casa foi sempre os Barreiros, o nosso Caldeirão! Nunca nos mudámos de armas e bagagens para a Camacha, nem para a Ribeira Brava, nem para a Choupana, e nem sequer para Santo António.

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Nunca.

Lembro-me dos Barreiros de outros tempos, em que até fervíamos ao sentar naquela pedra, que era a nossa cadeira na central, depois de um dia de sol. Lembro-me de, em pé, vibrar frente à toda-poderosa Juventus no nosso velhinho Peão. Lembro-me de tantas coisas mais. E como em tantas outras coisas, nas nossas conversas de Marítimo sempre ouvíamos dizer "isto já não é o que era". Mas ontem foi. Se calhar até foi melhor do que era.

Um estádio moderno, confortável, bonito, com as nossas cores e vestido da melhor maneira: Cheio de maritimistas. Ainda antes do jogo víamos a azáfama daqueles que trabalham fora de campo pelo Marítimo a tentar que não se notasse um pouco da desorganização que ainda existia. Natural para uma primeira vez. Mas tudo se perdoava. Era dia de História. Era dia de Marítimo.

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Era uma verdadeira festa. Mas o jogo começou e aos 5', em mais um erro defensivo dos muitos que já levamos esta temporada, sofremos o primeiro golo.

Quem estava fora do estádio, e eram muitos os que ainda entravam, nem se terá apercebido do golo adversário. As claques continuavam a apoiar, os músicos não calaram os instrumentos, ninguém desistia. Mas, com o passar do tempo, começaram a aparecer os assobios a cada falha dos nossos jogadores e de alguns em particular. Salin, na baliza, pedia constantemente que não o fizessem. Que apenas apoiassem. O treinador, a cada jogada melhor conseguida, chamava os adeptos ao jogo, e aos poucos, sempre incentivados pelas nossas claques - que estiveram mais uma vez brilhantes - começamos a empurrar o Marítimo. Começamos a fazer o que nos compete pois, tal como aos jogadores, o Marítimo nada nos deve. Somos nós que lhe devemos. Somos nós que os devemos empolgar.

A verdade é que o Caldeirão voltou. Como antigamente, os adversários estavam atónitos.

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Perderam na casa do Marítimo, naquele estádio em que só se ouve meia dúzia de rapazes a cantar e uma pequena banda? Será que hoje eles já perceberam o que se passou? O Alan deve ter dito. Ele sabe.

O Estádio dos Barreiros, o novo, não foi feito para a Liga, nem para a UEFA, nem para os jogadores, nem para os Vips, nem para os estrangeiros que nos vêm visitar. O Estádio dos Barreiros, tal como está, foi feito para nós, maritimistas. Foi feito para mostrarmos a nossa força, a nossa garra, e tudo o mais que sempre nos distinguiu e diferenciou dos outros. Vamos aproveitá-lo. Quinta-feira temos outra grande oportunidade de desfrutar do que é nosso. Vamos ao Estádio!