Há semanas que o Valência estava a preparar a renovação de Nuno Espírito Santo, oficializada ontem pelo Che, apesar de ter sido firmada no passado dia 4 de Janeiro, coincidindo com a visita do agente do técnico, Jorge Mendes, a Mestalla, um dia antes do jogo com Real Madrid, de boa memória para os valencianos, que travaram um líder que ia de recorde em recorde. Nesse dia, o dono do Valência, Peter Lim, reuniu-se com Jorge Mendes que, além amigo íntimo, é sócio num dos seus fundos de investimento. Ambos estiveram hospedados no mesmo hotel e tiveram tempo para debater os seus planos para o futuro do clube, começando pelo pilar mais importante: o treinador.

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O nome de Nuno esteve, naturalmente, em cima da mesa e Peter Lim, que leva sempre em consideração a opinião do agente mais famoso do mundo, concordou com Jorge Mendes na sua intenção de dar continuidade ao técnico à frente da equipa de Enzo Pérez, André Gomes e companhia.

Segundo o diário espanhol El Mundo, o contrato prolongado de Nuno Espírito Santo até esteve para ser assinado mais cedo, em Outubro, mas os responsáveis optaram por esperar para ver como o antigo guarda-redes se saía. Mas o bom arranque na Liga (foi considerado o melhor treinador do mês de Setembro), as grandes actuações frente aos favoritos à conquista do título (vitórias sobre Atlético e Real Madrid e uma excelente imagem deixada no jogo com o Barcelona, apesar da derrota) e o facto de ter a equipa dentro do objectivo Champions, quando a época se aproxima do meio, foram argumentos suficientes para Lim entender que Nuno, melhor que ninguém, poderá liderar o ambicioso projecto que tem para o Valência.

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O clube anunciou ontem que põe o seu futuro nas mãos do técnico português até 30 de Junho de 2018, o mesmo tempo que o magnata tem para pagar ao Bankia os 94 milhões de euros em que foram avaliados os 70,04 por cento da propriedade do Valência que comprou.

Há uns tempos, esta decisão teria sido impensável no Valência. Nunca um treinador viu o seu contrato renovado sem ter atingido os objectivos. Nem sequer o laureado Rafael Benítez, vencedor de duas Ligas e uma Taça UEFA entre 2001 e 2004, teve direito a tamanha facilidade. Quique Flores (2005-07), que apurou o clube para a Liga dos Campeões, foi despedido quando estava dentro das metas estabelecidas. O mesmo aconteceu que Unai Emery, que foi despedido ao fim de quatro anos no banco Che, quando o então presidente Manuel Llorente entendeu que "ser terceiro na Liga era necessário, mas não suficiente". Para Nuno ter beneficiado deste tratamento, muito terá contribuído o facto de ser representado por Jorge Mendes, braço direito de Lim no capítulo desportivo e, hoje em dia, uma dos homens mais influentes no universo do #Futebol.

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São novos tempos em Valência. Quem paga, manda. Peter Lim, com a "bênção" de Jorge Mendes, decidiu arriscar, utilizando uma tendência mais habitual na Premier League, onde os clubes tendem a confiar nos treinadores a um prazo mais longo. Para muitos, esta decisão poderá ser precipitada, mas no clube é vista como a melhor forma de dar estabilidade ao projecto. Goste-se ou não de Nuno, é inegável que o técnico português está a conseguir resultados positivos, apenas cinco meses depois de pegar num plantel bem apetrechado, é certo, mas do qual era preciso formar uma equipa. #Negócios