É mais um triste caso em que o racismo invade o desporto mundial. Fabiana Claudino, bicampeã olímpica de voleibol pelo Brasil, anunciou ter sido alvo de insultos durante a partida que disputou ontem em Minas-Gerais. De acordo com a jogadora, o espectador em questão foi identificado e retirado do pavilhão. Clube e adversárias já mostraram apoio com a capitã da selecção canarinha.

Numa partida que colocou frente a frente o Minas (equipa da casa) e o Sensi de São Paulo, Fabiana Claudino, que até nasceu em Belo Honrizonte, jamais vai esquecer o regresso a "casa". Num desabafo nas redes sociais, a jogadora de 30 anos disse o que lhe ia na alma: "Reflecti muito sobre divulgar ou não, mas penso que falar sobre o racismo ajuda a colocar em discussão o mundo em que vivemos e queremos para nossos filhos.

Publicidade
Publicidade

Eu não preciso ser respeitada por ser bicampeã olímpica ou pelos títulos que conquistei, isso é um erro! Eu exijo respeito por ser Fabiana Marcelino Claudino, cidadã, um ser humano", pode ler-se na sua página oficial nas redes sociais.

Fabiana Marcelino referiu ainda que os insultos se prolongaram por algum tempo, num jogo em que a atleta tinha familiares no pavilhão a assistir à partida: "Durante o jogo contra o Minas, um senhor "disparava" uma metralhadora de insultos racistas na minha direcção. Era "macaca quer banana", "macaca joga banana", entre outras ofensas. Esse tipo de ignorância atingiu-me, especialmente porque tinha familiares a ver o jogo nas bancadas". No mesmo texto, a capitã da selecção brasileira de voleibol não esqueceu o clube da casa, enaltecendo a atitude do Minas que retirou o autor dos insultos do pavilhão, encaminhando-o para a esquadra de polícia mais próxima.

Publicidade

Este episódio lamentável está a levantar uma onda de solidariedade para com Fabiana Claudino, com outras jogadoras da selecção canarinha a mostrarem o seu apoio à capitã. Sheilla Castro foi uma das muitas atletas que não calaram a sua "revolta" com os insultos racistas que a colega foi alvo: "Acho inadmissível ainda existir racismo. Minha amiga Fabiana Claudino ontem no jogo na sua terra natal, foi alvo de racismo de um adepto. Fiquei muito revoltada e triste. Ainda bem que o Minas Ténis Clube retirou o indivíduo e o encaminhou para a esquadra da polícia!"

Clube da casa já repudiou acto do adepto

O Minas Ténis Clube já veio entretanto, através de comunicado, demonstrar o seu total apoio para com Fabiana Claudino. Em nota divulgada no site oficial na internet, o emblema de Belo Horizonte "lamenta e repudia o acto de racismo ocorrido nessa terça-feira, durante a partida contra o Sesi-SP, pela Superliga Feminina de Voleibol. O Minas é absolutamente avesso a quaisquer manifestações discriminatórias, contrárias aos princípios e valores praticados pelo Clube".

Este não é, infelizmente, o primeiro caso de racismo na principal competição de voleibol feminino no Brasil. Em 2011 e 2012 também no Pavilhão do Minas, ocorreram outros actos de insultos deste género.