Camberra foi o palco, no início da manhã desta sexta-feira, de um dos mais espectaculares e electrizantes jogos desta Taça Asiática. Irão e Iraque precisaram do desempate da marca da grande penalidade para desatar o 3-3 com que terminaram os 120 minutos. No final a festa sorriu aos iraquianos, perante a selecção de Carlos Queiroz que jogou mais de 78 minutos com menos uma unidade. Num dia de surpresas, o Japão também "saltou" fora desta competição.

Mas vamos por partes, em jogo não estava só um lugar nas meias-finais, estava também a honra e o prestígio de duas nações que têm vivido de costas voltadas nas últimas décadas.

Publicidade
Publicidade

O Irão que chegava aos quartos-de-final só com vitórias e sem qualquer golo sofrido, entrou melhor e aos 24 minutos, na sequência de uma jogada do lado direito, Serdar Azmoun saltou mais alto que a defesa iraquiana e inaugurou o marcador. Com o controlo absoluto dos acontecimentos, o minuto 43 revelou-se fatídico para o Irão, depois de Mehrdad Pooladi, que já tinha cartão amarelo, ser expulso por protestos, num lance em que foi empurrado pelo guarda-redes do Iraque. Com mais um em campo, os iraquianos empataram o jogo aos 56 minutos por Ahmed Yasin, levando o jogo para prolongamento.

E foi no tempo extra que a magia do #Futebol andou à solta, assistindo-se a 4 golos em apenas meia hora. Aos 93, Younis Mahmoud fez o 1-2 para o Iraque mas o Irão empatou aos 103' por intermédio de Pouraliganji.

Publicidade

Com mais 15 minutos para jogar, um penálti claro deu o 2-3 para os iraquianos e no último minuto do prolongamento, já com o guardião do Penafiel, Haghighi, na área contrária, o Irão chegou novamente ao empate, num lance em que a bola chegou a estar dentro da baliza, antes do golo ser validado. Com 3-3 no marcador do Estádio de Camberra, seguia-se a lotaria das grandes penalidades e aí a sorte caiu para o lado do Iraque, depois de vencer por 6-7, seguindo para as meias finais.

Queiroz lembra Mundial e fala de "inimigos"

No final do jogo as emoções eram contrastantes com o seleccionador luso do Irão, Carlos Queiroz, a não poupar nas críticas à arbitragem e a desejar de viva voz, boa sorte para a Coreia do Sul: "Foi assim no Mundial, e foi assim na Taça da Ásia. A vencer por 1-0 na primeira parte, com o jogo controlado, Mehrdad Pooladi após ser agredido pelo guarda-redes adversário é expulso por alegados 'protestos'. A jogar com 10, ainda resistimos, contra todas as más decisões do árbitro.

Publicidade

Estivemos a perder por duas vezes, e conseguimos empatar sempre. Infelizmente, aquilo que seria uma vitória para nós, foi um pesadelo perdido apenas nos penaltis. Jogámos com uma equipa superior na fase de grupos, e vencemos sempre, inclusive vencemos o Iraque num particular com a segunda equipa em campo, só mesmo um 'acidente' arbitral é que podia fazer-nos perder. Parabéns à Coreia do Sul, que a jogar 11 para 11 com o Iraque, vai certamente à final. Não é fácil treinar o Irão com tantos inimigos a torcer e a ajudar os nossos adversários", afirmou Queiroz nas redes sociais.

A festa acabou com as cores do Iraque, que assim chega, pela segunda vez na sua história, às meias-finais desta Taça Asiática onde vai agora encontrar a Coreia do Sul. No outro duelo, que vai ditar um dos finalistas, vão estar frente a frente a Austrália e a grande surpresa, os Emirados Árabes Unidos que hoje eliminaram o Japão, o actual campeão em título, também após desempate da marca das grandes penalidades. Os jogos estão marcados para segunda e terça-feira.