Blasting News [BN]: Que idade tens e há quantos anos jogas no HCT?
André Luís [AL]: Tenho 32 anos e jogo no H.C. Turquel, o meu clube do coração, desde os 3 anos de idade, ou seja, há quase 30 anos.




BN: O HCT esteve vários anos na segunda divisão. Qual o segredo para o regresso?
AL: Há um "chavão" muitas vezes utilizado que responde a essa questão que é..."O HCT deu um passo atrás para depois dar dois em frente!" O que quero dizer com isto é que, no início do milénio, depois de exorbitâncias gastas em plantéis caros e incompatíveis com a realidade financeira de um clube que se afundava em dívidas a cada dia que passava, houve um desinvestimento forte na equipa sénior, fez-se uma aposta radical, em atletas vindos da formação do clube e, em simultâneo, houve um investimento forte nas categorias de base na formação. Esta aposta não teve dividendos no imediato, mas 10 anos depois voltámos à 1ª divisão e o clube recuperou o seu prestígio nacional e também internacional, consolidando a sua posição no panorama hoquista nacional e internacional, com atletas maioritariamente formados em Turquel, liquidando as dívidas que tinha, sendo neste momento um clube "saudável" do ponto de vista financeiro. A juntar a tudo isto o HCT granjeou nome nos escalões jovens e é, nos dias de hoje, uma referência no hóquei de formação em Portugal. 




BN: O HCT foi um dos casos mencionados no livro "Casos de Sucesso em Marketing Desportivo", do prof. Pedro Dionísio do ISCTE. Foi um reconhecimento ao trabalho desenvolvido na "casa"?
AL: Foi! Por tudo o que já referi e também porque o clube radicalizou posições relativamente à estratégias de marketing utilizadas até certa altura, que eram quase nulas. Houve um investimento muito forte na promoção da "imagem HCT", foram lançadas algumas campanhas com outdoors e outras com diversos temas, entre eles "A Aldeia do Hóquei" (denominação dada à Vila de Turquel), "Brutus 1964" (Nome da Claque que acompanha a equipa sénior), etc. Tudo isto fez com que a mensagem se espalhasse e a ajudar o facto de os protagonistas (atletas) serem da terra e conhecerem o público-alvo pessoalmente. Isto atrai o amigo do amigo e depois atrai famílias inteiras, funcionando como uma bola de neve que encheu pavilhões e que recolocou o clube no seu devido lugar.   




BN: Além de capitão e treinador das camadas jovens na tua casa, és agora seleccionador distrital de Sub-15 da A.P. Leiria, juntamente com Hélio Gonçalves. Como encaras o desafio?
AL: Encaro-o naturalmente. A secção de hóquei em patins da Associação de Patinagem de Leiria pediu auxílio ao nosso clube para podermos "assumir" os comandos da Seleção Distrital, a coordenação do nosso clube achou que só poderia funcionar com dois treinadores a trabalharem em conjunto, até pelos compromissos profissionais que cada um tem, ainda que tenhamos pouco tempo para preparar a competição principal que é o Inter-Regiões 2015, que se realizará de 26 a 29 de Março deste ano. Todavia, tudo faremos para honrarmos da melhor maneira as cores do distrito e da Associação que representamos.  


BN: Um clube da cidade de Évora lançou há pouco tempo formação para camadas jovens de hóquei. Qual o papel do HCT neste projecto?
AL: A relação que temos é umbilical, dado que o grande precursor do projeto no hóquei em patins no Diana de Évora é o Dr. Manuel Guerra, filho do malogrado Dr. Joaquim Guerra, que é uma das figuras impulsionadoras e mais emblemáticas do H.C. Turquel. Temos contacto direto com o que se faz por lá, mas não temos nenhuma influência no trabalho realizado, fizemos apenas e só um intercâmbio com um jogo em Turquel para proporcionarmos competição a crianças com uma idade já avançada, que ainda não tinham tido essa experiência. É de salutar o trabalho que mais um turquelense, entre tantos outros que estão "longe" de Turquel, faz em prol do hóquei em patins.


BN: O HCT está a tentar afirmar-se como um clube "de Primeira", de forma a que os adeptos do Hóquei estranhem se voltar à segunda divisão. Até onde pode ir? Será possível crescer para lutar regularmente pelos primeiros 5 lugares, como a Oliveirense? Ou até mesmo um momento único, como o título da AD Valongo na época passada?
AL: Tudo é possível e não desistiremos de evoluir mais e mais, a cada dia que passa. Queremos afirmar-nos como um clube de Top 6 e podermos estar sempre entre os melhores, mas também sabemos que no desporto tudo é efémero e se um dia o H.C. Turquel "cair" na 2ª divisão, o mundo não acabará. Essa é uma realidade a que poderemos estar sujeitos, que se prende com o facto da conjectura não ser favorável, de existirem factores que são difíceis de controlar nas gerações, na formação do plantel, na coesão do balneário e na dinâmica de vitória que pesam e que poderão levar-nos a esse caminho, mas nada deverá ser encarado como um drama nem com confiança excessiva. Dificilmente aparecerá "outro Valongo" nos próximos anos, tendo em conta o investimento cada vez mais acentuado dos denominados "clubes grandes", onde também incluo o Sporting. Contudo..."sonhar não custa nem ofende"! 


BN: Um palpite para o campeonato: SL Benfica, FC Porto ou outra surpresa como em 2013/2014?
AL: Não antevejo outra surpresa como a que o Valongo protagonizou em 2013/2014 e o meu palpite vai para o Benfica, pois além de estar à frente com 3 pontos à maior, dispõem também da vantagem no confronto direto sobre o Porto (venceu no Dragão Caixa por 3-7), é uma equipa que está muito consistente no plano defensivo, que tem um plantel cheio de grandes individualidades e que não tem vacilado em qualquer momento.


BN: Para terminar, quais as expectativas dos Séniores do HCT para o resto da temporada presente?
AL: As expetativas são classificarmo-nos numa das oito primeiras posições no Campeonato e irmos o mais longe possível na Taça de Portugal, de preferência atingir novamente a Final Four da competição, tal como o fizemos em 2011/2012, quando ainda estávamos na 2ª divisão.