O Comité Olímpico Internacional negou terminantemente a sugestão da Arábia Saudita de fazer uma oferta conjunta com Bahrain de manter os eventos masculinos e femininos em territórios separados. A Arábia Saudita propôs a realização de uma Olimpíada segregada pelo sexo. Em comentários feitos pelo príncipe Fahad bin Jalawi al-Saud - um consultor para o Comité Olímpico da Arábia Saudita - foi sugerido que o país poderia concorrer em conjunto com o Bahrain, em que este poderia sediar os eventos das mulheres. Enquanto a Arábia Saudita se resguardava exclusivamente para a competição masculina.


"A nossa sociedade ainda é muito conservadora. Tem dificuldade em aceitar que as mulheres podem competir em desportos", disse o príncipe ao site francês Francs Jeux. "O uso de roupas desportivas não é permitido em público. Por estas razões culturais, é difícil concorrer a determinados grandes eventos internacionais." Numa estratégia de reforma dos Jogos Olímpicos, publicada em Novembro passado, o Comité Olímpico Internacional (COI) abriu as portas a propostas para países concorrerem em conjunto em 2020. Mas indignou-se rapidamente com a sugestão da Arábia Saudita.


O presidente do COI, Thomas Bach, divulgou um comunicado explicando que seria negada a oportunidade da Arábia Saudita licitar qualquer concurso, a não ser que cumpra as regras que restringem qualquer discriminação. "Um compromisso de "não-discriminação" será obrigatório para todos os países com qualquer esperança de licitação para as Olimpíadas no futuro", disse Bach. "Isso ficou muito claro na reforma da Agenda Olímpica 2020 e ainda o será mais na celebração do contrato da cidade acolhedora. "Se isso não for aplicado, não será admissível a concurso. Países como a Arábia Saudita devem realmente trabalhar para permitir que atletas do sexo feminino "participem livremente". E o porta-voz do COI acrescentou: "Você não pode simplesmente exportar certas questões para outro território".


Londres 2012: foi a primeira vez que a Arábia Saudita tinha enviado atletas do sexo feminino para os Jogos Olímpicos, sob pressão do COI. Mas as duas mulheres escolhidas - a judoca Wojdan Shaherkani e a atleta de 800m Sarah Attar - foram expostas como 'prostitutas' nos media por conservadores sauditas. Elas competiram com os cabelos cobertos e acompanhadas por tutores masculinos. No ano passado, a Arábia Saudita enviou apenas um homem aos Jogos Asiáticos em Incheon, Coreia do Sul.

Na Arábia Saudita as raparigas não têm desporto no currículo escolar. As mulheres são proibidas de participar em eventos em estádios desportivos, porque segundo os ortodoxos muçulmanos, poderão estar expostas à licenciosidade. Em Dezembro de 2014, uma mulher saudita foi presa por participar num jogo de futebol disfarçada de homem.