O juiz Pablo Ruz aceitou esta terça-feira o pedido do Ministério Público de Espanha e acusou de fraude fiscal o presidente do Barcelona, Josep María Bartomeu, no âmbito da investigação à contratação do futebolista brasileiro Neymar. Esta transferência continua a minar a autoridade e a legitimidade de uma direcção sobre a qual recaem sérias suspeitas, o que coloca o clube de #Futebol numa posição muito delicada, perto do abismo institucional. Neste momento, o emblema "blaugrana" é presidido por alguém indiciado por fraude. Alguém que substituiu outra pessoa que deixou a entidade precisamente por alegadas irregularidades na contratação do brasileiro, o que também afectava Bartomeu, que era vice-presidente na altura.

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A questão é esta: irá Bartomeu demitir-se? O seu antecessor deixou o cargo por muito menos (só foi imputado cinco meses depois de sair), e o passo normal, tendo em conta este antecedente, seria dar lugar a outro até que cheguem as eleições. Nesse cenário, o Barcelona teria o seu terceiro presidente em apenas um ano. Demasiada instabilidade para um clube que, depois de alguma turbulência, parecia agora ter encontrado a tranquilidade, pelo menos no que diz respeito ao aspecto estritamente desportivo.

A alternativa é continuar no cargo. Isto significaria que, no dia 13 de Fevereiro, a Espanha, a Europa e todo o mundo (o Barça é actualmente uma marca à escala global) veriam o presidente do Barcelona enfrentar o tribunal. Foi precisamente isso que Sandro Rosell quis evitar quando saiu.

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Com as eleições à porta, a pressão de sócios e potenciais candidatos aumentaria ainda mais.

Foi, aliás, com a intenção de acabar com "a tensão desproporcionada e que não se ajusta à realidade" que Bartomeu decretou a realização de eleições antecipadas em Nou Camp. Agora a realidade é outra, uma vez que o seu indiciamento já não é nenhum rumor ou conspiração, mas sim um facto. E isso vai fazer aumentar a atenção e a fiscalização social e mediática (paralela à que decorre judicialmente) sobre o clube.

Convém acrescentar que Bartomeu também tem alguma responsabilidade na sanção que a FIFA aplicou ao Barcelona por irregularidades nas contratações de menores de idade estrangeiros. Antes de sair, o director desportivo Zubizarreta apontou o dedo ao presidente, e com razão, uma vez que era o seu superior. Segundo os órgãos de comunicação social catalães, Bartomeu terá decidido continuar à frente dos destinos do clube. Aliás, acrescentam, ainda não terá excluído a hipótese de se apresentar às eleições que se realizam no final da presente temporada. De acordo com as informações que circulam na cidade condal, para o presidente "culé" nada mudou. Seja como for, tudo indica que a instituição se aproxima de um abismo institucional do qual dificilmente sairá nos próximos meses.