O director de uma organização internacional de direitos humanos admitiu o seu envolvimento no incidente do Metro de Paris, onde adeptos do Chelsea impediram um homem negro de entrar na carruagem, enquanto entoavam cânticos racistas. Richard Barklie, de 50 anos, membro da direcção do The World Human Rights Forum (Fórum Mundial de Direitos Humanos), negou ter participado nesses cânticos e diz que quer explicar o que aconteceu à polícia. Admitiu, contudo, ter estado "envolvido num incidente quando uma pessoa, agora identificada como Soulemayne S, foi impedida de entrar no comboio".

O detentor de bilhete de época do Chelsea, da Irlanda do Norte, é um dos três indivíduos identificados nas imagens difundidas pela Scotland Yard no decorrer da investigação.

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Na direcção do Fórum, Barklie tem como companheiros pessoas da Nigéria, Bangladesh, Índia, Canadá, Bélgica ou Alemanha. Segundo a página da organização na internet esta destina-se a "promover os direitos humanos, os valores e o bem-estar global".

Em comunicado, os advogados de Barklie disseram que ele pretende enviar "as sinceras desculpas pelo trauma e stresse sofrido" por Souleymane S. "Contactámos a Polícia Metropolitana de Londres para informar que o nosso cliente está disponível para ajudar no inquérito. Além do compromisso formal com a polícia, o nosso cliente está ansioso por registar o seu total repúdio pelo racismo e qualquer actividade a ele associada. Como alguém que passou anos a trabalhar com comunidades menos avantajadas na África e na Índia, ele tem um currículo em direitos humanos que refuta qualquer suspeita de racismo.

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O Sr. Barklie é detentor de bilhete de época do Chelsea e viajou para jogos durante mais de 20 anos sem qualquer incidente. Viajou sozinho para o jogo com o Paris Saint-Germain e não tem qualquer conhecimento das outras pessoas retratadas nos vídeos publicados no YouTube".

"Ele quer frisar que não faz e nunca fez parte de nenhum grupo ou facção de adeptos do Chelsea. Não participou nos cânticos racistas e condena qualquer comportamento que o promova. Aceita que esteve envolvido num incidente quando uma pessoa, agora identificada como Soulemayne S, foi impedida de entrar numa carruagem do comboio. Reconhece prontamente que qualquer julgamento sobre a integridade do seu pedido de desculpas será mantido em suspenso enquanto se aguardam os desenvolvimentos da investigação", refere o comunicado.

Os advogados adiantaram ainda que a Polícia Metropolitana confirmou estar em condições de levar a investigação para a próxima fase. Nenhum dos homens identificados pela Scotland Yard foi preso, uma vez que aquela força não está autorizada a deter pessoas por alegadas ofensas fora do Reino Unido.

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Se forem levados a tribunal na França, e considerados culpados, os suspeitos podem enfrentar uma pena de prisão até três anos e uma multa até 45 mil euros.

Este domingo, um centro de aconselhamento para vítimas do conflito na Irlanda do Norte confirmou a suspensão de Barklie, que ali era colaborador em part-time, devido a este incidente. Durante o conflito, Barklie serviu as forças militares em Belfast. No seu papel como director do Fórum Mundial de Direitos Humanos, participou numa conferência na Índia, há dois anos, na qual citou Mahatma Gandhi e Martin Luther King, como parte da batalha contra a intolerância racial.

Um porta-voz da polícia metropolitana disse que os três homens estão identificados e que a força está em contacto com as autoridades francesas. Até agora, cinco pessoas foram excluídas de Stamford Bridge pelo Chelsea, em consequência deste caso.