No Brasil, o Sport Recife descobriu um inovador sistema para dissuadir os seus adeptos mais violentos. Imagine que vai ver um jogo ao estádio, como sempre. Senta-se na bancada, como sempre. Com uma diferença: quando olha para o campo, em vez dos habituais polícias ou stewards, está a sua mãe, atenta a todos os seus movimentos, envergando um colete cor-de-laranja com a inscrição atrás: "Segurança Mãe".

Foi isto que aconteceu com Ricardison Ferreira, seguidor fervoroso do Sport Recife, quando chegou ao Arena Pernambuco para ver o clássico do torneio estadual entre a sua amada equipa e o Náutico, o outro emblema da cidade do nordeste brasileiro.

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Numa altura em que o Brasil discute a possibilidade de acabar com a presença de adeptos visitantes nos estádios, como já acontece na Argentina, o Sport Recife adoptou esta iniciativa, idealizada pela agência de publicidade Ogilvy.

Foram os próprios simpatizantes que deram ao clube os números de telefone das suas mães e mulheres, sem imaginarem o que os esperava. "Arrancámos-lhes a informação com muita discrição, porque eles não são parvos", indicou Marcela Lima, responsável pelo marketing do campeão brasileiro em 1987. "Nunca pensei vir a converter-me em agente de segurança, mas foi uma experiência muito agradável, já que colaborámos para travar a violência que muitas vezes afasta as famílias dos estádios", disse Roseli, mulher de Ricardison, que, juntamente com outras 32 mulheres, participou numa formação intensiva e dedicou várias horas a um curso prático de capacitação - o mesmo que recebem a Polícia Militar e os guardas de segurança privados.

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Roseli também é fiel seguidora do Sport Recife, mas desta vez enganou Ricardison, dizendo-lhe que, desta vez, não ia poder assistir ao grande dérbi por falta de tempo e dinheiro. "Quando o meu marido me viu com o colete de segurança, quase que desmaiou; não percebia o que se estava a passar, até que explicaram a acção que se estava a realizar pelos altifalantes do estádio. Aí, acalmou-se e até gosto da minha função", acrescentou, entre sorrisos. "A ideia era intimidar os nossos homens, fazer-lhes ver que têm de se portar bem nas bancadas. Acho que funcionou e vamos repetir", concluiu.

Fábio Silva, vice-presidente do clube, também vê como positiva a iniciativa das mães seguranças: "A presença destas mulheres apanhou todos de surpresa. Ninguém consegue imaginar a sua mãe como segurança quando vai ao #Futebol. A campanha serviu para trazer a paz para o desporto. Ao fim e ao cabo, ninguém quer brigar quando há uma mãe presente".

Depois dos lamentáveis incidentes do fim-de-semana passado nos jogos entre Benfica e Sporting, tanto no futebol como no futsal, talvez não fosse má ideia importar esta ideia para Portugal…