Faltavam 2,1 segundos para o final do jogo entre os Indiana Pacers e os San Antonio Spurs, quando um cesto do italiano Marco Belinelli deu a vitória aos texanos e permitiu ao veterano treinador Gregg Popovich chegar ao triunfo número mil como profissional. A acção do jogador transalpino culminou o excelente trabalho feito pelos Spurs no último quarto de desafio, no qual recuperaram de uma desvantagem de 14 pontos. Aos 66 anos, Popovich tornou-se assim no terceiro treinador mais rápido de sempre a atingir esta marca impressionante, atrás de Pat Riley e Phil Jackson. E no segundo da história da NBA a consegui-lo sempre na mesma equipa.

Ao contrário de Riley e Jackson, Popovich não chama a si as atenções.

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Toda a gente sabe que não gosta de falar para a televisão durante os jogos. Mas pouco mais se sabe acerca dele. Diz-se que gosta de vinhos mas, acima de tudo, adora os seus jogadores e, aparentemente, os seus jogadores adoram-no.

Jerry Sloan deverá ser o único treinador com mil vitórias no basquetebol da NBA menos conhecido pelo público. Tal como "Pop", também Sloan treinou apenas uma equipa, os Jazz. Nos últimos 19 anos, Popovich criou várias versões dos San Antonio Spurs, adaptando-se rapidamente e construindo equipas que, uma atrás da outra, continuam a lutar pelo campeonato, independentemente do plantel que tem à disposição. Algo só ao alcance de um génio.

Popovich começou por construir a sua equipa à volta de David Robinson e Tim Duncan. Ganhou o campeonato. Quando Robinson começou a perder gás, fruto da idade, apostou no, então, jovem Manu Ginobili para potenciar o jogo exterior.

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Voltou a ganhar. Dois anos mais tarde, incorporou Tony Parker no cinco inicial. Novo campeonato em 2006. Desde então, os Spurs só voltaram a ser campeões no ano passado, mas mantiveram-se sempre entre os melhores, apesar da idade do "Big Three": Duncan, Parker e Ginobili. Mérito para o treinador, que soube gerir os minutos destes jogadores em campo e arranjar alternativas quando eles estão no banco a descansar. O maior exemplo é Kawhi Leonard, MVP das finais de 2014.

Ainda assim, Popovich é subvalorizado e mesmo menorizado por alguns. Ao contrário de quase todas as outras equipas, nos Spurs não há grandes estrelas mediáticas, como Kobe Bryant, nem jogadores que querem decidir jogos sozinhos. Há, sim, um colectivo que funciona melhor que todos os outros.

Alguns treinadores moldam os jogadores em função de um sistema de jogo no qual acreditam. Outros procuram um sistema que potencie ao máximo as características dos seus jogadores. Popovich conseguiu ser os dois. Mudou constantemente o sistema de jogo dos Spurs e "sacou" aos jogadores todo o seu talento para se encaixarem nele. É, ao mesmo tempo, visionário e pragmático. Parabéns, Pop!