É um dado adquirido. Várias fontes confirmaram à Sports Illustrated que o Campeonato do Mundo de 2022 se vai realizar nos meses de Novembro e Dezembro, no Qatar. Um grupo de trabalho da FIFA vai reunir-se em Doha na próxima semana e vai fazer essa recomendação e o Comité Executivo da FIFA deverá tomar uma decisão final no encontro do próximo mês em Zurique. O organismo que tutela o #Futebol mundial acredita que, na Europa, apenas uma época seja afectada, algo que espera conseguir através da redução do número de jogos das selecções. A grande questão é, neste momento, o que irá acontecer com a Taça das Confederações, a disputar no ano anterior.

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O presidente da FIFA, Sepp Blatter, já havia admitido que o torneio não poderá ser jogado no Verão devido às elevadas temperaturas que se fazem sentir no país nessa altura do ano (à volta dos 50º). A Associação Europeia de Clubes e a Associação de Ligas Profissionais de Futebol Europeias sugeriram Maio e Junho como datas alternativas, mas não parece ser essa a intenção.

É de esperar, por isso, grande resistência a esta decisão da FIFA. Isto porque ela vai causar transtornos às ligas mais importantes do mundo. La Liga, Bundesliga, Serie A e Premier League, entre muitas outras na Europa, mas também na China ou na Índia, estão em plena competição em Novembro e Dezembro. E vão perder muito dinheiro nesses dois meses, em direitos televisivos, receitas de bilheteira…

Ao mudar o mundial para o meio da época, a FIFA está a retirar os melhores jogadores dos seus clubes, o que significa uma redução no talento que os espectadores tanto apreciam nessas ligas.

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Já vimos como a CAN pode ter esse efeito, no caso dos jogadores africanos (teria o Sporting empatado com o Benfica se tivesse Slimani disponível?). Algumas ligas poderão optar por alterar os calendários, mas isso representaria um pesadelo logístico. Se decidirem manter as datas habituais, os jogos serão bem menos interessantes sem os melhores jogadores. Além disso, quem é que quererá ver um jogo do Gil Vicente ou Paços de Ferreira (sem qualquer desprimor por estas equipas) quando estiver a dar a selecção nacional na televisão?

A FIFA pode ter muito dinheiro, mas não é ela que paga directamente aos jogadores. São os clubes. E para a FIFA continuar a fazer dinheiro com as competições que organiza, depende da vontade dos clubes para cederem os atletas às suas selecções. Esta tem sido relação tensa. Os emblemas investem milhões nas suas estrelas e não querem vê-las lesionadas enquanto jogam pelos seus países.

O órgão liderado por Sepp Blatter tem conseguido motivar os jogadores, dando-lhes exposição mundial e a oportunidade de atingirem a glória representando as suas nações.

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Os clubes acedem, porque isso deixa os futebolistas felizes, mas não morrem de amores por estas competições (principalmente das fases de apuramento, que obrigam a longas viagens e a jogos em campos, muitas vezes, com poucas condições). Com esta decisão, o organismo arrisca-se a enfrentar ainda mais oposição dos clubes.

A FIFA quer acreditar que tudo está bem e acredita que é suficientemente poderosa para evitar um motim. Desta vez, poderá não ser bem assim. Está muito dinheiro em jogo e as ligas estão fartas de serem deixadas para segundo plano. Não se sabe que tipo de retaliação irão tomar - recursos legais, recusas em ceder jogadores… - mas é quase certo que o irão fazer. A "paz podre" entre a FIFA e os clubes não deverá durar muito.