As ligas e os clubes europeus apresentaram um calendário alternativo para evitar o Mundial no Inverno. A proposta contemplava celebrar o Campeonato do Mundo 2022 de 5 de Maio a 4 de Junho. O Qatar rejeitou, contudo, esta solução por coincidir com o Ramadão e o Eid al-Fitr, a festa muçulmana que se celebra no fim do jejum. "É decepcionante. É uma decisão incorrecta. Fomos abandonados pela UEFA", lamentou o líder da Premier League, Richard Scudamore.

As Ligas Europeias de #Futebol Profissional (LEFP) e a Associação Europeia de Clubes (AEC) apresentaram um calendário alternativo para a temporada 2021-22, que teria pouco impacto nas competições europeias e nos campeonatos nacionais.

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A mudança no calendário internacional com um Mundial disputado em Maio seria limitada. Todos os torneios de 2021 (Taça das Confederações) e 2023 (Taça Asiática, Campeonato Africano das Nações e Taça de Ouro) poderiam realizar-se de acordo com o que está previsto, assim como as edições 2021 e 2022 do Campeonato do Mundo de Clubes. As competições europeias (Liga dos Campeões e Liga Europa) necessitariam apenas de pequenos ajustes. O mesmo aconteceria com os campeonatos nacionais. O efeito desta proposta limitar-se-ia à eliminação de duas datas de jogos para as selecções.

O Qatar negou-se, no entanto, a ter esta hipótese em consideração, devido ao Ramadão. Apesar deste período sagrado para os Muçulmanos terminar no dia 2 de Maio (dois dias antes da data em que teria início o Campeonato do Mundo), as selecções teriam de estar no país pelo menos 10 dias antes do seu primeiro jogo.

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Além disso, após o Ramadão, os fiéis celebram o Eid al-Fitr, que se prolonga nos 10 dias a seguir ao jejum. "Pedir-nos para fazer o Mundial nessas datas é como se nós pedíssemos aos Cristãos para jogarem na noite de Natal", disse Nasser Al-Khater, do comité organizador do Qatar. A verdade é que, de acordo com a proposta que deverá ser escolhida pela FIFA, a final da competição não se realiza na véspera de Natal mas realiza-se… na véspera da véspera (dia 23 de Dezembro).

O outro argumento contra o Campeonato do Mundo em Maio é o clima. Apesar de a solução proposta pelas ligas e pelos clubes incluir apenas um jogo em Junho (a final), os médicos da FIFA insistem que jogar naquela zona do globo na Primavera "também não é possível". LEFP e AEC argumentam que, "em Fortaleza e Manaus, no Brasil 2014, jogou-se em condições climáticas semelhantes". Argumento que também não foi tomado em consideração. "Um Mundial em Novembro e Dezembro será um terremoto para o futebol na Europa", resumiu Karl-Heinz Rummenigge, presidente da AEC.