Quem tinha saudades de ouvir Bernie Ecclestone terá por certo ficado contente com as novas declarações do "Supremo" da F1. A primeira corrida do ano foi pobre em espectáculo dentro de pista mas rica em polémica fora dela. O caso "Van der Garde", que quase deitava a perder o fim-de-semana da Sauber (que no entanto veio a ser bastante positivo), os apenas 15 carros que iniciaram a corrida, número bem distante dos 22 do ano passado, as desistências e os problemas dos monolugares equipados com motores Renault. Ingredientes mais que suficientes para fazer correr tinta durante os próximos dias.

As queixas da Red Bull

Bernie, que não gosta de ficar fora da ribalta por muito tempo, usou do seu tempo de antena para fazer declarações polémicas que, a serem confirmadas, poderão prejudicar ainda mais a F1.

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Tudo por causa da vantagem competitiva que a Mercedes tem sobre os adversários.

A marca germânica dominou por completo a temporada de 2014 e tudo indica que fará o mesmo este ano. Ora, na Red Bull os ânimos estão alterados. O motor (não chamarei unidade motriz como deveria para ser mais fácil) Renault está muitos furos abaixo do motor Mercedes e até do motor Ferrari, que evoluiu muito nos últimos meses, traduzindo-se numa diferença de andamento gritante. Kvyat nem uma volta conseguiu dar e Ricciardo apenas conseguiu o 6º lugar, não tendo argumentos para mais. Christian Horner, chefe da equipa austríaca, veio dar um murro na mesa e disparou críticas para todo o lado. Criticou a Renault por ter feito um motor fraco (o termo usado terá sido mais forte e pouco recomendável para um texto deste género) e criticou a FIA, exigindo que os regulamentos fossem alterados, para que a vantagem dos Mercedes seja diluída e assim a competição possa melhorar.

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Bernie com afirmações graves

Já se conhece a forte relação que Horner tem com Ecclestone (Horner já foi apontado como o sucessor de Bernie) e não é de admirar que este último tome partido do britânico. E foi o que fez. Concordou com o que o chefe da Red Bull disse, afirmando que os motores Mercedes deveriam ter sido congelados, permitindo aos outros uma aproximação real. Mas o pior nem foi isso. Bernie Ecclestone, que lucra diariamente com a F1, veio afirmar a público que a Mercedes foi beneficiada pela FIA. Segundo declarações do próprio à Sky Sport 24, a Mercedes teve acesso privilegiado a informações sobre a regulamentação dos motores híbridos V6 e a própria marca germânica terá ajudado na definição dos regulamentos, o que explica a vantagem gigantesca da Mercedes em relação aos restantes competidores.

São afirmações graves que colocam em causa a credibilidade da F1, mais ainda quando ditas pelo homem que comanda os destinos da modalidade. Não é concebível que uma marca tenha tratamento privilegiado em relação a outras.

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Desvirtua o espirito da competição. É mais uma polémica que estará prestes a rebentar na F1. Mais uma a juntar às muitas que já assolam o paddock e que em nada beneficiam um desporto que tem perdido muitos fãs e que precisa urgentemente de uma nova filosofia que atraia as pessoas. #Automobilismo