Roberto Mancini, actual treinador do Inter de Milão, assumiu na passada segunda-feira, dia 23, que é totalmente contra a chamada de jogadores estrangeiros para a selecção italiana de #Futebol. Com frases como "a selecção italiana deve ser italiana", o técnico de 48 anos defendeu a sua posição, que já está a ser comparada com xenofobia. Num discurso crítico para com a última convocatória de Antonio Conte, o antigo internacional por 36 vezes pela Squadra Azzurra está agora no meio de uma polémica que envolve bem mais do que o futebol.

Em declarações à agência noticiosa Ansa, Mancini foi muito crítico com as chamadas do brasileiro Eder, da Sampdória, e do argentino Franco Vázquez, do Palermo, ambos os jogadores são naturalizados italianos e constam na recente lista de Conte para os jogos frente à Bulgária e à Inglaterra de qualificação para o Europeu 2016 a disputar em França.

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Numa medida que já não é nova na selecção de Itália, Mancini veio a público mostrar-se revoltado perante uma medida que prejudica os "verdadeiros" jogadores italianos: "Creio que um jogador italiano merece jogar na Selecção nacional. Merecem bem mais que os jogadores que não nasceram em Itália e os que têm família cá", disse o treinador transalpino num discurso que roçou o xenófobo.

Esta questão dos naturalizados poderem jogar pela Azzurra é já um tema antigo para aqueles lados. Mas a verdade é que desde a chamada do argentino Mauro Camoranesi no Euro'2014, que tem sido um habitué convocar atletas nascidos fora de Itália para incorporarem a equipa nacional transalpina. Outros nomes, como Thiago Motta (nascido no Brasil), Pablo Osvaldo (argentino) ou mais recentemente Roberto Soriano (alemão), constam de uma lista de jogadores cuja qualidade não é posta em causa mas em que a sua nacionalidade está a gerar uma certa celeuma.

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Roberto Mancini é apenas mais uma voz que se coloca agora contra a chamada de não italianos de nascença à selecção de Itália. Também Marcelo Lippi, campeão do Mundo em 2006 com a Squadra Azzurra, preferiu dizer um "nim" a esta questão: "Naturalizados? Se for um Messi ou Ronaldo, claro que sim". Curiosamente Lippi foi campeão do Mundo com um jogador naturalizado no onze inicial na partida da final frente à França (Camoranesi).

Alemanha campeã Mundial com dois "polacos"

Voltando a Roberto Mancini, o treinador do Inter quis usar o exemplo da Alemanha, que afirmou "foi campeã do Mundo só com jogadores que nasceram lá [na Alemanha]", Mancini esqueceu-se possivelmente que nos 23 convocados de Joachim Low que venceram o Mundial no Brasil, alguns não nasceram na Alemanha. São os casos dos goleadores Miroslav Klose, que nasceu em Opole na Polónia e de Lukas Podolski, que também nasceu na Polónia em Gliwice. Em ambos os casos os jogadores foram desde tenra idade para os País que agora representam, mas levando à risca os "valores" que o treinador italiano defende, não nascendo no País de origem não podem ser chamados à equipa nacional.

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Um discurso e comportamento a roçar a xenofobia que ainda vai dar muito que falar no mundo do futebol.