O Ministério Público espanhol, na pessoa do procurador José Perals, pediu esta segunda-feira, dia 23, uma pena de dois anos e três meses de prisão para o atual presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, por delito fiscal na transferência de Neymar, em 2013. Além de Bartomeu, também o seu antecessor, Sandro Rosell, que estava no cargo quando o brasileiro trocou o Santos pelo Barça, pode enfrentar uma pena de prisão de sete anos e meio por fraudes fiscais e crimes administrativos. Segundo o jornal El País, o Ministério Público pede ainda que Bartomeu, Rosell e o clube paguem, entre multas e indemnizações, mais de 60 milhões de euros.

Recorde-se que o "caso Neymar" começou com uma denúncia de um sócio do Barcelona, Jordi Cases, em dezembro de 2013, o que levou a que fossem investigados os contratos que, desde 2011, ligavam o astro brasileiro aos "blaugrana" e as teias montadas por Rosell e Bartomeu, que na altura era vice-presidente do clube e que ocupou a presidência quando a "bomba" rebentou e Sandro Rosell se demitiu.

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O juiz da Audiência Nacional responsável pelo caso, Pablo Ruz, concluiu que a transferência de Neymar custou 83 milhões de euros, antes de serem aplicados os impostos, e não os 57 milhões que o antigo presidente revelou em assembleia de sócios. Por tudo isto, no passado dia 13 de março, o juiz considerou que havia matéria para acusação de crimes administrativos e delitos contra as Finanças no valor de 13 milhões de euros, dando um prazo de 10 dias para que o Ministério Público pedisse as penas para os dirigentes.

Ainda segundo o juiz Pablo Ruz, Sandro Rosell "encobriu ou ocultou o que, na realidade, constituía um aumento de custos para o clube pela contratação do jogador" e que o ex-presidente "pensou fragmentar o pagamento em diversas partes", simulando pagar a "empresas fantasma" - de onde vem a acusação de administração desleal - para pagar remunerações sem que fossem tributadas, o que constitui o crime contra as Finanças.

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Quanto a Josep Maria Bartomeu, o pedido de pena de prisão é menor, por haver a atenuante de reparação do dano na "declaração tributária extemporânea" feita pelo clube em setembro de 2014, em que pagou cerca de 13 milhões de euros. No entanto, o atual presidente do Barcelona é acusado com base no "protagonismo que teve na génese das operações e no desenrolar do processo de transferência" de Neymar e ainda por outra "declaração extemporânea" quando, em fevereiro de 2014, o clube pagou ao jogador a última tranche do contrato inicial, no valor de cinco milhões de euros, sem que fosse novamente aplicada a fiscalidade espanhola. #Justiça #Futebol