Domingo é dia de clássico no #Futebol português. Não daqueles entre os três grandes. Este é um clássico a sério, daqueles com uma rivalidade difícil de perceber. Domingo é dia de Boavista-Guimarães, o clássico que põe à prova os nervos dos adeptos. Um jogo especial e electrizante do princípio ao fim. O embate entre estes dois emblemas históricos do futebol português é sempre garante de grande emoção. Mais do que no campo, porque hoje os jogadores vivem de forma diferente a camisola e dificilmente interiorizam uma rivalidade tão antiga, é nas bancadas que mais se vive o confronto entre axadrezados e vimaranenses.

A história é vasta: 113 jogos, com 39 vitórias para o Boavista, 43 para os minhotos e 31 empates.

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Dos números se percebe que a vantagem é ligeira para o Guimarães. No entanto, o Boavista pode orgulhar-se de ter vencido o confronto mais importante de todos, a final da Taça de Portugal de 1976, por 2-1. O registo das batalhas entre os dois clubes começa em 13 de Janeiro de 1946, no campo da Amorosa, no berço da nação, em partida ganha pelos homens da casa, por 3-1.

São 69 anos de confrontos, interrompidos pela ausência forçada do Boavista, que foi atirado para as divisões inferiores. O último jogo no Bessa, para o campeonato, entre os dois emblemas foi a 26 de Novembro de 2007, com a vitória a sorrir aos panteras, por 3-2. Curiosamente, quem inaugurou o marcador nesse dia foi Fary, que ainda faz parte do plantel do Boavista. Na presente época, os dois rivais já se enfrentaram por duas ocasiões, 3-0 na primeira volta da Liga e 2-2 no Bessa, para a Taça da Liga.

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Pode-se dizer que Boavista e Guimarães são clubes muito idênticos. Têm um crescimento parecido, esporadicamente desencontrado, mas amiúde a disputar posições nos campeonatos. Na luta pela manutenção ou lugares europeus, panteras e conquistadores construíram uma rivalidade que incendeia os adeptos. O Boavista nasceu primeiro, em 1903, e teve de esperar 19 anos até ver o seu rival dar os primeiros passos. O palmarés dos dois clubes é incomparável: axadrezados com 13 títulos nacionais (1 de campeão, 5 taças, 3 supertaças e 4 de campeão da 2ª divisão), contra apenas 2 dos vitorianos (1 taça e 1 supertaça).

Incomparável também será, porventura, a realidade das duas colectividades. Se o Boavista sempre subiu a pulso, conquistando com muito empenho e dedicação cada pequeno degrau, o Guimarães é um clube "quase camarário", tais são os apoios que a autarquia concede ao clube. Os minhotos jogam no estádio municipal, com as despesas garantidas pelo erário público e essa "pequena" diferença resulta numa luta desigual.

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Em números, a vida está mais facilitada em Guimarães, pois o clube tem mais apoios, mais sócios, mais público no estádio. O Vitória é conhecido pela paixão dos seus simpatizantes, que acompanham em massa a equipa. São o quarto clube em Portugal em média de assistência, 14.000 espectadores, numa taxa de ocupação do estádio de cerca de 46%. Apesar de longe, o Boavista apresenta valores positivos para um clube que se viu obrigado a andar vários anos pelos escalões inferiores: média de 4.500 espectadores (15% de ocupação do estádio), o sétimo clube em Portugal.

Mas tudo isto é fora do relvado, porque lá dentro o que conta é a vontade de vencer. E nisso, Boavista e Guimarães estão mano a mano, o que faz deste jogo um clássico, dos maiores em Portugal.