O Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, recebeu sete jogos do Mundial de 2014, competição realizada no Brasil. Depois do fim do campeonato - e de uma obra com um custo de cerca de 350 milhões de euros, o que significa que foi o estádio mais caro da competição - contam-se pelos dedos da mão as partidas realizadas nesta arena. Agora, em vez de albergar jogos de #Futebol, o Mané Garrincha, que começou recentemente a servir de parque de estacionamento para centenas de autocarros, vai ser também a sede de três secretarias do governo de Brasília. Esta medida poderá poupar cerca de 3 milhões de euros (mais de 10 milhões de reais) por ano, segundo escreve Romário Faria, histórico avançado (e agora membro do Senado brasileiro), na sua página de Facebook.

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O estádio, com capacidade para 72 mil espectadores, não recebe um jogo oficial desde a partida para atribuição do 3.º e 4.º lugar do Mundial, disputada entre o país organizador e a Holanda. O segundo estádio mais caro de sempre (apenas atrás do Wembley Stadium, em Londres), remodelado especialmente para o Campeonato do Mundo, precisa agora de encontrar formas para conseguir cobrir uma manutenção mensal de cerca de 150 mil euros, uma vez que nenhum clube de Brasília ou arredores tem capacidade para jogar no complexo.

A solução proposta por Rodrigo Rollemberg, recém-eleito governador de Brasília, é instalar nos 40 escritórios da arena três secretarias de administração que estão actualmente em prédios alugados: Desporto e Lazer, Desenvolvimento Humano e Social e Economia e Desenvolvimento Sustentável.

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Romário quer mais propostas para reduzir prejuízos

A notícia foi veiculada esta segunda-feira por Romário Faria na sua página de Facebook. Depois de abandonar os relvados, o "baixinho" enveredou por uma carreira política pautada pela frontalidade e polémica, tal como nos tempos de jogador. O ex-futebolista, mais moderado do que o costume, vê na medida uma "boa solução", embora "longe do ideal".

Eleito há um mês como deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, Romário foi sempre uma das vozes contra a organização do Mundial. Agora diz que a população está a "sentir na pele" os problemas já anunciados antes da competição. "Pagamos caro por erguer estádios em muitas cidades sem tradição no futebol e sem um plano após a Copa", escreveu em comunicado. O histórico artilheiro concluiu a nota dizendo que espera que "outros governadores também encontrem saídas para diminuir os prejuízos causados ao bem público".

Esta situação não é propriamente uma surpresa para o povo brasileiro que, antes e durante a competição, se multiplicou em indignadas manifestações motivadas pelas exorbitâncias investidas pelo Estado brasileiro em estádios que se sabiam não vir servir a ninguém no futuro. Os brasileiros não estavam contra o futebol, mas sim contra as fortunas gastas indevidamente e que assim fugiram aos orçamentos de sectores que continuam carenciados, como a educação e a saúde.