Exibido pela primeira vez a 28 de Fevereiro no canal norte-americano Showtime, Kobe Bryant's Muse não é uma biografia convencional de uma estrela da NBA. Em vez de se centrar nos inúmeros feitos conseguidos por Kobe Bryant durante a sua longa carreira - que ainda não conhece fim -, o trabalho realizado por Gotham Chopra mostra-nos o lado humano de uma verdadeira lenda do #Basquetebol. O jogador dos Los Angeles Lakers, que fez parte do processo criativo do filme, analisa na primeira pessoa as suas falhas e os seus medos, os seus desafios, motivações e conquistas, dando detalhes íntimos sobre um percurso que o tornou num dos desportistas mais famosos do mundo.

O documentário baseia-se na recuperação que Kobe Bryant enfrentou depois de uma lesão no tendão de Aquiles em 2013, apontada por muitos como o fim da carreira do jogador. Entretanto Kobe (36 anos) voltou e este ano teve uma lesão no ombro, mas segundo se aponta estará muito próximo do regresso. Fomos habituados a ver na estrela dos Lakers um atleta de excelência, imperturbável dentro de campo e dono de 5 anéis de campeão da NBA.

Mas em Kobe Bryant's Muse, encontramos o jogador sozinho, numa sala vazia de pessoas e adereços, em discurso directo para a câmara. Protagonista, produtor executivo e narrador da sua própria história, The Black Mamba brinda-nos com um registo introspectivo invulgar, que revela as emoções, a intimidade e a vulnerabilidade que o expõem como um ser humano comum, que em campo tem a capacidade de se transformar num herói como poucos.

Fazer o documentário foi uma "terapia"

"Vou falar de coisas importantes cujo peso preciso tirar do peito. Não tenho paciência para escrever um livro, vou fazê-lo desta maneira", disse Kobe no trailer do filme. O jogador, muitas vezes visto como arrogante e egocêntrico, revela que mais do que um documentário, este filme funcionou como uma "terapia". A primeira versão do realizador apostava nas estatísticas brilhantes de Kobe Bryant e reunia uma espécie de colectânea das suas melhores jogadas. Confrontado com esta versão, a estrela decidiu que tinha a oportunidade de fazer algo diferente.

Dividido em sete capítulos que seguem, cronologicamente e em paralelo, a vida e a recuperação de Kobe, o documentário contém os momentos marcantes dentro do campo, mas dá-nos a oportunidade de o ouvir falar e a reflectir sobre pensamentos, momentos e pormenores íntimos da sua vida e do seu ser. Os mesmos episódios que foram moldando uma das mais brilhantes carreiras do basquetebol e do desporto.

O medo de falhar e o caso de 2003

Filho de um ex-jogador da NBA, Kobe conta como o basquetebol o ajudou a integrar-se durante a infância, vivida primeiro em Itália e depois nos Estados Unidos da América. Fala sobre a paternidade e sobre as suas "musas", Michael Jordan e Magic Johnson, de como sempre quis sentar-se "na mesma mesa que eles".

Num registo emocionado, o jogador discursa sobre a forma como decepcionou a sua família, quando um caso de agressão sexual que envolvia o seu nome rebentou em 2003, para depois ser vencido em tribunal. Diz-se também "culpado" por um aborto natural da esposa, que surgiu numa altura de muita tensão no casamento. O jogador mostrou ainda um enorme receio de falhar. "O meu cérebro não consegue processar o insucesso" é uma das frases finais.