Está há menos de um ano em Portugal e no FC Porto, mas de uma forma ou outra já deixou a sua marca. Julen Lopetegui atravessa futebolisticamente a melhor fase nos azuis e brancos, mas não há semana em que não lance achas para a fogueira. O basco tem sido, de forma clara, “instrumentalizado” para deixar recados e críticas aos adversários, numa estratégia natural nos portistas mas que dá demasiado nas vistas. Numa dupla missão conflituosa, qual será a imagem que sobressai mais, a do treinador ou a do “ventríloquo”?

O caso mais recente em que saltou a “olhos vistos” que Julen Lopetegui assume o discurso do FC Porto foi na recente polémica com o vice-Presidente do Benfica, Rui Gomes da Silva.

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O treinador portista afirmou que “se fosse português ficava preocupado”, porque o dirigente encarnado já foi Ministro. Num discurso claramente construído, mas não pelo treinador, ficou à vista de todos que Lopetegui se está a “sujeitar” a uma função fora da sua jurisdição.

Outro episódio que denunciou a dupla “função” do espanhol ocorreu depois da gala que assinalou o centenário da Federação Portuguesa de #Futebol (FPF). Uma vez mais, foi pela boca de Lopetegui que se ouviu uma reacção dos azuis e brancos, neste caso de desagrado com o “esquecimento” para com Pinto da Costa e José Maria Pedroto: “Em todo o Mundo não há nenhum Presidente que tenha ganho tantos títulos. Estranho também que alguém que tenha marcado uma era e mudado o futebol português também não tenha sido lembrado”, foram estas as palavras do técnico basco, dando a conhecer um profundo ”conhecimento” da história do futebol nacional.

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Também para responder às críticas de Manuel José, que afirmou que a tarefa do espanhol estava facilitada porque tinha recebido do FC Porto um plantel de maior qualidade que o seu antecessor Paulo Fonseca, Julen Lopetegui apareceu, uma vez mais, com a “matéria” bem estudada, lembrando que “em 1995 o Benfica ficou 25 pontos atrás e tinha caviar”, numa clara referência aos tempos em que Manuel José treinava os encarnados. No entanto desta vez os dados estavam errados. O ano a que espanhol “queria” fazer referência era 1997 e a distância pontual entre dragões e águias até foi maior, 27 pontos. Será caso para perguntar se terá sido um problema de compreensão ou de má memorização.

No entanto, e no que à sua real função - treinar - diz respeito , Julen Lopetegui demorou, mas colocou finalmente o FC Porto a jogar à imagem do plantel que dispõe. Depois de um arranque trémulo com várias escorregadelas, a verdade é que os azuis e brancos entram na recta final da temporada a todo o gás. Nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, onde vão defrontar o Bayern de Munique, os portistas demonstram que estão aí para as curvas e muito se deve ao trabalho do seu técnico, que mostra claramente que não vai dar de “borla” o bi-campeonato ao Benfica.

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Agora há claramente uma questão que se coloca, esta dupla “função” de treinador/ventríloquo a que Lopetegui se “sujeita” não poderá manchar o seu trabalho no futebol português? Só o tempo o dirá. #F.C.Porto