Há limites para tudo e parece que esse limite foi esta tarde ultrapassado em larga escala no Estádio do Mergulhão, em Cesar. Em campo, Cesarense e Lusitano de Vildemoinhos disputavam mais uma partida da fase de subida da Zona Norte do Campeonato Nacional de Seniores (CNS), mas, infelizmente para o desporto e para a sociedade em geral, o jogo ficou manchado por episódios racistas ao longo dos 90 minutos. A denúncia é feita pelo próprio Lusitano FC que repudiou os actos racistas que o seu atleta, Thiago Pereira, foi alvo durante toda a partida. Apontando o dedo ao árbitro, que terá feito "ouvidos moucos", também o próprio jogador do emblema viseense já veio demonstrar a sua repulsa pelos factos ocorridos, garantindo que tudo fará para que os infractores sejam punidos.

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Os atletas em questão são Vítor Fonseca (30 anos), Bruno Batista (32 anos) e Hugo Silva (27 anos) que, segundo afirma o Lusitano, através da sua página oficial da rede social Facebook, terão feito uso de termos racistas para insultar Thiago Pereira "desde o primeiro minuto de jogo". Na mesma nota, pode ler-se que o árbitro do jogo, João Mendes, bem como a restante equipa de arbitragem, terão dado conta dos acontecimentos mas nada fizeram. O clube da Cidade de Viseu exige agora à Federação Portuguesa de #Futebol, bem como às restantes entidades competentes, que sejam tomadas medidas exemplares perante estes factos graves.

Também Thiago Pereira não conseguiu esconder o que lhe ia na alma e depois do jogo criticou e repudiou os insultos racistas de que foi alvo: "Não ligo quando atitudes destas acontecem, até agora sempre minimizei mas hoje contra o Cesarense não pude ficar calado.

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Hoje [sábado] PSEUDO jogadores de futebol passaram dos limites, atitudes racistas e pejorativas, a ofender não só a minha raça mas a minha nacionalidade [brasileira]. É inadmissível, vou até onde tiver que ir para punir essas pessoas tão pobres de espírito e sem carácter algum", afirmou Thiago Pereira na sua página oficial no Facebook.

Já no que ao futebol diz respeito, a equipa da casa venceu por 1-0 com o golo solitário a ser apontado por Careca aos 74 minutos de jogo. A vitória, ou neste caso os três pontos, até pode ter sorrido ao Cesarense, mas depois dos episódios de racismo quem ficou a perder foi o futebol, o desporto e a sociedade.