Começou com um alegado suborno ao Sporting, e acabou com uma denúncia caluniosa vinda do vice-presidente do clube. O caso é de 2012 e Paulo Pereira Cristóvão terá criado uma armadilha ao árbitro José Cardinal com um depósito feito na Madeira para simular um suborno do Marítimo. A investigação conduziu depois a outras suspeitas: burla qualificada, branqueamento de capitais e participação alegados esquemas para desviar dinheiro do Sporting com recurso a empresas externas, dominadas por Pereira Cristóvão, mas oficialmente dirigidas por outras pessoas. Além disto, o clube terá pago dinheiro a mais por serviços de protecção de ativos, que é o mesmo que dizer espionagem a jogadores.

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Uma pequena parte desse dinheiro ia parar às empresas contratadas, a outra seguia para o vice-presidente. Pereira Cristovão demitiu-se, foi acusado e denunciado, espera agora que sejam escolhidos os jurados para julgamento, já que o próprio pediu num tribunal de júri. Inspetor da polícia judiciária durante mais de dez anos, instituição onde entrou como segurança, passou pela antiga direção central de combate ao banditismo, hoje unidade contra terrorismo e pelo combate ao crime económico e financeiro.

Esteve envolvido na negociação de processos complexos mas não escapou a polémicas, entre elas um processo disciplinar por tentativa de crime sexual contra uma interveniente num processo e a acusação de agressões durante um interrogatório com outros inspetores a Leonor Cipriano, mãe de Joana, a criança que desapareceu no Algarve.

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Pereira Cristóvão foi julgado em 2008, o tribunal deu as acusações como provadas mas não conseguiu identificar os autores. Nessa altura, Pereira Cristóvão já não estava na judiciária, de onde pediu para sair. Escreveu livros, tornou-se comentador televisivo e aproximou-se do Sporting. Em 2009 candidatou-se à Presidência do Clube e perdeu para José Eduardo. Acabou por ser eleito o número dois de Godinho Lopes dois anos mais tarde. Estava em liberdade à espera do julgamento do caso ardinal quando foi detido num novo processo relacionado com crimes mais graves que incluem sequestros. #Justiça