É sem dúvida um dos nomes mais marcantes das últimas décadas do ciclismo português. Vítor Gamito, vencedor da Volta a Portugal em 2000, abandonou o desporto de alta competição em 2004, mas manteve-se sempre activo. Até aqui tudo bem, não fosse o atleta de 45 anos ter sido agora "surpreendido" pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) que foi a sua casa para o submeter a um controlo de sangue. Estranho? Sim. Ainda para mais quando a intenção daquele organismo é "fazer" o denominado passaporte biológico a Gamito. No ano passado regressou à Volta e não foi chamado a qualquer controlo, agora, sem competir de forma profissional, terá de se submeter às regras rígidas para estar "na linha".

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A história foi contada na primeira pessoa na página oficial da rede social Facebook: "Tocaram-me à campainha às 7:15 (…) uma senhora procurava por Vítor Gamito. É o controlo de sangue para a ADoP". Numa publicação em que deu a conhecer este "episódio", Vítor Gamito esclarece que sempre considerou natural, o que chama de "rotina", o facto dos ciclistas de alta competição serem sujeitos a vários tipos de controlos para despistar situações ilegais. O que Vítor Gamito não consegue perceber, e grande parte do comum mortal também não, é o facto de, 10 anos depois, ser "alvo" da rígida política da ADoP: "Então, o ano passado, que participei na Volta a Portugal, uma competição para profissionais e dinheiro em jogo, nunca me fizeram qualquer controlo. Agora, aos 45 anos de idade, e em que só participo em alguns eventos para me divertir, e mesmo que os vença não há dinheiro ou prémios envolvidos, é que a ADoP resolve fazer-me o passaporte biológico?", questionou Vítor Gamito.

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O que é o Passaporte Biológico?

O Passaporte Biológico é uma "ferramenta" que visa monitorizar determinados parâmetros biológicos - através de amostras de sangue e urina - que de uma forma indirecta possam revelar os efeitos da utilização de substâncias ou métodos proibidos, neste caso nos ciclistas. A monitorização destes valores ao longo de uma carreira desportiva tornará praticamente impossível a utilização de determinados tipos de substâncias e de métodos proibidos que possam melhorar a performance desportiva dos mesmos.

Vítor Gamito depois de ter sido "obrigado" a abandonar o #Ciclismo de alta competição, após lhe ter sido detectado um bloqueio auriculoventricular de 3º grau em 2004, tem-se mantido, nos últimos tempos, no activo. Agora aos 45 anos, vai ter de cumprir de forma trimestral um termo de identidade e residência, além de estar obrigado a informar diariamente a ADoP onde vai estar, já para não falar que terá de se sujeitar a análises de sangue quando aquele organismo quiser. É caso para dizer que há coisas que a própria razão desconhece.