O Chile recusou ser parte do Dakar 2016 devido às cheias que arrasaram cidades e aldeias do árido norte do país, anunciou em comunicado o Ministério do Desporto chileno. O governo decidiu assim não investir os cerca de sete milhões de dólares necessários para a passagem da mítica prova de todo-o-terreno pelo país dos Andes. Só para as tarefas de reconstrução do desastre causado pelas 17 inundações simultâneas em três regiões, serão necessários 1.500 milhões de dólares. "O governo do Chile e a direcção do Dakar analisaram os últimos acontecimentos que afectaram o norte do país, situação que levou à decisão de não participar no Rally 2016", assinala a nota oficial do ministério.

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A ministra do Desporto, Natalia Riffo, disse que a decisão foi tomada em conjunto entre o governo e a Amaury Sports Organisation (ASO), a entidade francesa que organiza a prova. A governante frisou que a decisão se ajusta à realidade vivida pelos habitantes do norte do país. "A nossa preocupação imediata, como governo, é levantar as cidades afectadas e canalizar os recursos para quem mais necessita", acrescentou.

A titular da pasta do Desporto recordou ainda que o rali não implica apenas investimento de recursos por parte do governo, mas também o pagamento a funcionários públicos e a participação de instituições que estão centradas e continuarão preocupadas com a difícil reconstrução. Riffo não descartou, contudo, o regresso da prova a solo chileno em 2017. "Nós temos as portas abertas", declarou.

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Étienne Lavigne, director do Dakar, disse compreender a situação que afecta o norte chileno e esclareceu que a participação do país na edição de 2017 do rali será avaliada. "Hoje, a prioridade está nas pessoas das regiões afectadas", destacou, em comunicado. Copiapó, uma das principais cidades do norte do Chile, e por onde passou a corrida este ano, foi uma das zonas mais afectadas.

Em 2015, a ASO baixou em quatro milhões de dólares o investimento chileno, por causa do terremoto que a 1 de Abril de 2014 atingiu cidades do extremo norte do país, como Iquique e Arica, onde apenas cerca de um terço das estruturas afectadas foram reconstruídas.

O Rally Dakar realiza-se na América do Sul desde 2009, depois de a rota africana ter sido descartada por problemas de segurança. Em 2015, passou pela Argentina, Chile e Bolívia. #Automobilismo