Pode ser mais um escândalo no mundo do #Ciclismo. O jornal francês L'Equipe publicou esta quinta-feira, 2 de Abril, uma grande reportagem sobre o denominado doping tecnológico. Usando o seguinte título "Motores nas bicicletas, uma bomba de efeito retardado?", o diário gaulês chegou mesmo à fala com um engenheiro húngaro que fabrica este tipo de bicicletas. Istvan Varjas confirma que desde 1998 são usadas em provas de ciclismo e que nunca foram detectadas. Na mesma reportagem, o magiar afirma ainda que será cada vez mais difícil "apanharem" alguém a infringir as regras. O tamanho do motor em alguns casos é equivalente a uma Pen USB.

Com um fabrico de uma dúzia por ano deste tipo de bicicletas, Istvan Varjas apresenta estes inovadores velocípedes: "São totalmente silenciosos e impossíveis de localizar [os motores] para os mecânicos.

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Dispõem de medidas distintas de potência sendo agora possível escolher o grau de autonomia do mesmo", disse em entrevista ao L'Equipe. Assegurando que, no entanto, nunca vendeu nenhum dos seus produtos para qualquer equipa do pelotão internacional, o engenheiro húngaro deixou um retrato do que se está a passar no ciclismo mundial: "Os fãs e adeptos desta modalidade, só agora há pouco tempo, depois das confissões do Lance Armstrong, é que acreditaram que se usava EPO. Demoraram quase 10 anos a chegar lá. O mesmo está e vai acontecer com os motores. Já são usados há 17 anos e ainda ninguém quer crer".

Com estes dados na sua posse, o L'Equipe entrou no campo da especulação, lançando alguns cenários relativamente a este tema. O periódico gaulês tentou perceber onde se localizará e como funcionará o motor.

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O quadro ou o aro das rodas são as hipóteses encontradas para "instalar" o acessório à bicicleta. Já sobre o funcionamento, o jornal fala de uma espécie de ligação ao cardio-frequencímetro do ciclista, que assim que o coração acuse níveis de cansaço, o motor começa a trabalhar dando uma ajuda extra.

O presidente da União de Ciclismo Internacional (UCI), Brian Cookson, afirma que este caso do chamado doping tecnológico é "um problema muito sério". Em causa poderá estar toda a história desta modalidade. Caso se confirme o uso destes "extras", o ciclismo poderá perder a pouca credibilidade que ainda lhe sobra. Depois dos mais variados escândalos relacionados com o uso de substâncias proibidas que melhoram a performance física dos ciclistas, eis que o problema parece assumir contornos ainda mais graves. Agora são as bicicletas que estão dopadas, ou melhor, motorizadas.