Muito se tem dito e escrito sobre a forma aguerrida como o Boavista encara os adversários. Tanto se tem elogiado a garra e atitude combativa dos jogadores axadrezados e como esta equipa é um exemplo a seguir. Ora, o Marítimo e Ivo Vieira levaram à letra o aviso e foram a jogo utilizando exatamente as mesmas armas que o Boavista. O técnico madeirense montou um onze de tração atrás, compacto, pressionante, apostado em não deixar jogar o adversário. Petit arriscou pouco, ou nada, apresentando uma equipa, também ela, de cariz pouco ofensivo, muito mais de combate no miolo.

A forma como o Marítimo se apresentou no sintético do Bessa pareceu surpreender o Boavista, que nunca soube, por falta de engenho, ultrapassar a pressão do adversário.

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Os axadrezados esbarraram num #Futebol que estão mais habituados a praticar do que a enfrentar. Os maritimistas apostaram em conceder a posse de bola aos homens da casa, defendendo sempre de maneira muito aguerrida, de muita entreajuda. Os homens de Petit não lidaram bem com tanta bola nos pés e nunca conseguiram livrar-se da armadilha montada por Ivo Vieira.

É verdade que o Boavista dominou o jogo, atacou mais, mas o Marítimo foi sempre mais perigoso e pareceu ter sempre a partida controlada. Ainda na primeira parte os madeirenses podiam ter marcado, quase aproveitando uma de muitas hesitações de Mika e dos seus colegas do centro da defesa, mas Marega acertou em cheio na barra.

Na primeira metade da partida, o Boavista foi pouco mais do que ineficaz, sem nunca criar perigo para a baliza de Salin.

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O segundo tempo trouxe mais do mesmo. Um Marítimo muito forte fisicamente, a não deixar o Boavista construir, e sempre à espreita do erro adversário para marcar. E tal acabou por acontecer, aos 54 minutos. Num lance aparentemente inofensivo, Mika falha mais uma vez, os seus colegas não corrigem o erro e Éber, o jogador mais baixo em campo, marca de cabeça, num chapéu ao guardião da casa.

Petit mexeu na equipa, com uma dupla substituição, desmontando o meio campo excessivamente defensivo. Retirou Gabriel para entrar Marek Cech, ao mesmo tempo que Bobô substituía Brito. Obviamente, com Cech o Boavista passou a ter mais qualidade no jogo, sabendo o que fazer com a bola. As oportunidades foram aparecendo, mas apenas trouxeram à tona a insuficiência dos elementos mais avançados do Boavista. Uchebo atrapalha, é certo, Bobô nem isso conseguiu.

O Marítimo, alheio aos problemas do Boavista, manteve a mesma atitude, na expetativa de conseguir chegar ao 2-0, o que aconteceu ao 89 minutos. Alex Soares aproveitou mais uma falha de Mika e fixou o resultado final. Uma derrota surpreendente para o Boavista, que em nada belisca o excelente trabalho que Petit tem vindo a desenvolver. Mais uma vez, destaca-se a exibição de Afonso Figueiredo, o único que manteve a famosa garra da pantera. Quanto ao Marítimo, soube aprender com o adversário e ser eficaz. E quando assim é, o resultado é justo.