Depois da primeira parte da entrevista com José Azevedo, campeão europeu de corta-mato e pista coberta em #Atletismo adaptado INAS, conversámos sobre a sua passagem para atleta paralímpico e de como superou a lesão que o forçou a isso.

Como foi representar esses clubes de Famalicão?

Estive dois anos na Associação Moinhos de Vermoim, nos piores e nos melhores momentos. Saí campeão e foi o único título do Vermoim. Encontrei pessoas boas, mas outras que nem por isso, o que me obrigou a sair. Também representei o NA Joane em 2011, onde me dediquei a 100% para atingir os mínimos olímpicos, chegando a estar convocado para a selecção nacional para uma prova em Albufeira, mas contraí uma lesão muito grave e acabei por abandonar o clube e repensar toda a carreira.

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Como superou esse momento?

Tive o melhor médico do norte, o Dr. João Lourenço, a quem agradeço, e tive também o apoio do meu antigo treinador, Armindo Araújo. E tive apoio da minha família. Não tive apoios nem acompanhamento de clubes; tinha saído do Moreirense e tinha assinado com o NA Joane. Mais tarde, depois de ser aconselhado, resolvi aceitar o convite para ser atleta de desporto adaptado.

Como é ser atleta paralímpico?

Em termos desportivos é igual a um atleta olímpico. Mas nos patrocínios e na atenção mediática é complicado, porque quando batemos a uma porta e dizemos que somos atletas paralímpicos, não percebem que fazemos a mesma preparação, corremos lado a lado com qualquer atleta. Eu corro com deficiência intelectual. É uma categoria diferente das outras, mas é atletismo igual a todo o atletismo.

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Quando pedimos e sabem que somos paralímpicos é muito mau, mas eu também entendo. No nosso país, e isto aconteceu agora no Europeu onde fui campeão, os jornais nacionais não divulgam muito os paralímpicos, logo não há grande interesse para os patrocinadores. As próprias federações muitas vezes não divulgam as notícias, não fazem pressão nas redacções e isso é muito triste para nós. Temos de competir para ganhar dinheiro e somos obrigados a ter um desgaste maior do que o recomendado e que nos pode prejudicar, mas temos de nos manter. É muito triste.

Foi complicado arranjar um patrocinador individual?

Eu é que propus ao Filipe Abreu, da empresa Montakit, que era meu conhecido, e agradeço-lhe muito pela ajuda, que falou com o Sr. Carlos, dono da Montakit, que passou a ser o meu clube. Graças a eles passei a dedicar-me profissionalmente ao atletismo.

E agora tem coleccionado títulos ao serviço da Montakit...

Sim, comecei logo no ano passado, onde venci o Campeonato Nacional de Corta-Mato.

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Não conhecia ninguém dos paralímpicos, era a minha primeira prova, e foi mais ou menos tiro para o ar e corrida para a frente. Foi também o meu primeiro contacto com o meu rival desportivo, o Cristiano Pereira, que me complicou a vitória, mas consegui.

É o seu rival?

Sim... (risos) O miúdo é fantástico; tem 18 anos e já me venceu algumas vezes, outras sou eu que levo a melhor. É uma grande promessa do atletismo a nível europeu.

Mas e o José... Como foi vencer o primeiro título europeu?

Bati o recorde do mundo e fui terceiro no Campeonato do Mundo, na Polónia. Esse soube-me a pouco. Sabia que havia dois polacos muito bons e que um era fora-de-série. Nunca mais os encontrei, pensei que os encontraria no Campeonato da Europa, mas não foram. Ganhei eu, mas mesmo sem eles, tive grande concorrência, de um inglês, do próprio Cristiano, que ficou depois de mim (risos).

Ao fim do terceiro mês, já está cheio de títulos...

Mas este ano não fico por aqui. A nível internacional só me falta ser campeão do mundo na meia-maratona. É na Régua, no dia 17 de Maio, mas não vai ser fácil. Depois fazer mínimos dos 1500 para os Paralímpicos do Brasil, para descansar, pois em setembro, se for convocado para o Campeonato do Mundo de Pista ao Ar Livre, no Equador, quero estar ao meu melhor nível, já que sou o campeão europeu.