A clássica Paris-Roubaix é uma das provas mais duras e com maior história no mundo do #Ciclismo, fazendo parte do conjunto dos "Cinco Monumentos" da modalidade. Não é por acaso que é apelidada de "Inferno do Norte". 253,5 quilómetros de competição, 52,7 destes percorridos sobre o temido pavé, num total de 27 setores deste terreno. Não existem montanhas que façam as diferenças entre os ciclistas: o próprio terreno plano encarrega-se de fazer a selecção entre os mais capazes e o resto do pelotão. A cada setor de pavé, as guerras pela colocação nas estradas estreitas, quedas, furos, cortes no pelotão e os ataques e contra-ataques são constantes.

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Na sua fase inicial, esta é uma corrida como qualquer outra. Nove corajosos lançaram-se numa fuga, com a qual o pelotão pouco se preocupou numa primeira fase, chegando a ter mais de 10 minutos de vantagem, com uma primeira hora de prova feita a uma média de mais de 50 km/h. Aos 98,5 quilómetros decorridos começou uma nova realidade, com o primeiro sector de pavé em Troisvilles. Mas as verdadeiras movimentações no pelotão surgiram bem mais tarde, no sector número 14 (Tilloy - Sars-et-Rosières), decorridos 180 quilómetros de prova, onde a Etixx-QuickStep colocou um ritmo bem forte no grupo principal, deixando em dificuldades candidatos à vitória como Greg Van Avermaet (BMC), Alexander Kristoff (Katusha) e Bradley Wiggins (Sky), que viriam a reentrar no pelotão quilómetros mais tarde.

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Depois de mais algumas tentativas de ataque sem grande êxito, formou-se a cerca de 45 quilómetros da meta um trio adiantado ao pelotão com Bradley Wiggins, Jens Debusschere (Lotto Soudal) e Stijn Vandenbergh (Etixx-QuickStep), que apenas viria a ser alcançado cerca de 15 quilómetros depois, na aproximação ao setor de pavé 6.

Com a fuga do dia entretanto também alcançada, chegávamos aos 20 quilómetros finais com um grupo de cerca de 20 ciclistas na disputa da vitória. Jürgen Roelandts (Lotto Soudal) tentou também ele a sua sorte, sendo alcançado à entrada dos 15 quilómetros finais, já com o setor de pavé do Le Carrefour de l'Arbre ultrapassado (que é usualmente um dos mais importantes na definição da prova, pela sua dificuldade). Após Roelandts ser alcançado, o reduzir de ritmo do grupo principal permitiu a Greg Van Avermaet e Yves Lampaert (Etixx - Quick-Step) lançarem-se ao ataque. Com os quilómetros a passar e a meta a aproximar-se, este ataque soou os alarmes nos restantes candidatos, com John Degenkolb (Giant-Alpecin) a sair na perseguição, na qual se seguiram Zdenek Stybar (Etixx - Quick-Step) e depois Lars Boom (Astana), Martin Elmiger (IAM Cycling) e Jens Keukeleire (Orica GreenEdge), enquanto Peter Sagan e Alexander Kristoff mostravam não ter capacidades de lutar pela vitória final.

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Chegámos assim ao Velódromo de Roubaix, onde está a linha de meta desta clássica prova, com um grupo de 7 ciclistas a lutar pela vitória ao sprint. John Degenkolb confirmou o seu estatuto como um dos maiores sprinters da atualidade, cortando a meta no 1º lugar após 05:49:51 de prova, numa chegada onde não deu grande hipótese à concorrência. O alemão conquista assim o seu segundo Monumento da temporada, depois da vitória na Milan - San Remo no mês passado. Esta foi também a primeira vitória de um alemão em Roubaix nos últimos 119 anos. Zdenek Stybar foi 2º classificado, com Greg Van Avermaet no lugar mais baixo do pódio. A fechar o top-5 ficaram Lars Boom e Martin Elminger. Quanto à representação portuguesa, Nélson Oliveira (Lampre-Merida) foi o único representante das nossas cores nesta prova, terminando-a na 61ª posição.