A primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1 chegou no Grande Prémio de Portugal no dia 21 de Abril de 1985, há precisamente 30 anos. A corrida foi muito complicada e teve a chuva como protagonista. Não foi uma vitória qualquer. Foi uma exibição como poucas vezes se viu de um piloto que é uma lenda.

Depois da estreia na F1, pelas mãos da Toleman, a Lotus não demorou a contratar Senna. Desde 1982 que a equipa não conseguia um triunfo e colocava todas as suas esperanças naquele jovem brasileiro que tanta expectativa despertava. Na primeira corrida da época, a vitória foi para Alain Prost e o seu McLaren TAG, que se viria a sagrar campeão.

Para a segunda prova, o circo deslocou-se até ao autódromo do Estoril, onde tinha terminado a temporada anterior.

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O fim-de-semana arrancou bem para Senna, que garantiu a pole-position, à frente de Prost e Rosberg. Mas os problemas começaram logo no warm-up, com uma rotura do motor. Foi uma rotura repentina e violenta e foi necessário refazer toda a parte posterior do bólide nas poucas horas que faltavam para a partida. Ainda não tinha começado a chover. Um frustrado Ayrton Senna esperou sentado, pacientemente, que os mecânicos corrigissem os muitos problemas.

Com a chuva a inundar a pista a cada minuto, o diretor de corrida, Luís Salles Grade, decidiu dar dez minutos extra de preparação, para que os pilotos se ajustassem às duras condições da pista. Com o carro arranjado, o brasileiro saiu das boxes "a pisar ovos", segundo as suas próprias palavras. Senna nunca tinha feito nenhum treino com chuva, nem com o seu Lotus 97T, nem com os pneus Goodyear.

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Mantendo-se na frente após a partida, Ayrton tinha a vantagem de uma visibilidade quase normal, sem levar com a água levantada pelos pneus de chuva. Foi ganhando uma média de um segundo e meio por volta e manteve-se sempre na liderança, melhorando consecutivamente a volta rápida. Depois de 10 voltas, a vantagem era de mais de 12 segundos e continuava a subir. Lá atrás, os outros candidatos iam fazendo erros atrás de erros. Patrese, Berger, Rosberg e Prost, entre outros, ficaram fora de corrida.

Enquanto Senna continuava líder, a chuva tornou-se mais intensa. Tanto que o próprio brasileiro começou a indicar que o melhor seria parar a corrida, uma vez que a pista estava muito perigosa. Hoje em dia, talvez nem tivesse começado. Ante a reposta negativa do director de corrida, Ayrton continuou até ao limite regulamentar das duas horas, que chegou quando se cumpriam 67 das 69 voltas. Senna ganhou liderando a prova do início ao fim, com mais de um minuto de vantagem sobre o Ferrari de Alboreto.

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O italiano foi o único dos oito pilotos que terminaram a corrida que não dobrou o génio brasileiro. Poderia ter havido uma dobradinha para a Lotus Renault, mas De Angelis teve um rebentamento de pneu e acabou em quarto.

A grande estrela do dia foi Ayrton Senna. Peter Warr não conseguiu conter a sua euforia no fim da prova. O próprio Senna batia com tanta força no volante ao passar pela meta que quase saiu de pista, já sem cinto de segurança, tal era a emoção pela histórica e inédita vitória. Ao sair do carro, o brasileiro foi directamente dar um beijo ao pai, que estava debaixo da torre de direcção de corrida. Assim, a Lotus, sob o comando de Peter Warr e mãos de Senna ao volante, voltou às vitórias, o que não acontecia desde a Áustria em 1982. O bólide desenhado por Gerar Ducarouge entrou para a história da Lotus e Ayrton Senna entrou para a história da Fórmula 1. #Automobilismo