Ao longo de 10 anos como ciclista profissional, Tiago Machado, natural de Famalicão, já coleccionou diversos títulos em solo lusitano: foi diversas vezes Campeão Nacional de Estrada e venceu o troféu Joaquim Agostinho. Só não alcançou mais pois abraçou a internacionalização, mantendo no entanto a sua constante participação na Volta ao Algarve, onde é habitualmente o melhor português na classificação final. Começou no pelotão nacional com a mítica equipa do Boavista, tendo depois feito companhia a Armstrong, na RadioShack, onde brilhou ao lado dos melhores do pelotão mundial. Seguiu-se uma aventura na Alemanha, com a NetApp-Endura, estando agora numa das equipas mais temidas do pelotão internacional, a Team Katusha.

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Venceu a Volta à Eslovénia e soma camisolas de montanha e excelentes participações nas melhores provas internacionais. Este ano já correu quatro grandes provas, tendo ficado um pouco aquém na última, a mítica Paris-Nice.

Que balanço faz dos primeiros três meses de 2015?

Este ano, a temporada começou na Volta à Austrália. Fiquei satisfeito, estava nos 10 melhores na penúltima etapa, e só não correu melhor porque fiquei envolvido numa queda no último dia da prova, o que me fez perder alguns lugares. Depois participei na Volta a Múrcia, onde fiquei em 7º lugar, e onde uma vez mais voltei a ter azar perto da chegada; mas mesmo assim fiquei sempre na discussão da geral e não terminei num mau lugar. Depois fomos para a algarvia [ndr: Volta ao Algarve], onde acabei no pódio, o que é sempre bom.

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Por fim estive na corrida Paris-Nice, mas não correu muito bem, pois tive que abandonar. No âmbito geral, e apesar deste último azar, acho que as coisas estão a correr dentro da normalidade. Resta-me continuar a trabalhar para dar seguimento ao que tenho conseguido na carreira.

O Tiago corre em voltas que levam o físico ao extremo. O treino na Serra de Estrela é habitual?

Eu vou regularmente à Serra da Estrela, não é uma coisa que seja alterada nos meus hábitos. É uma zona do país em que adoro treinar; tem todas as condições necessárias, tem subidas longas, outras mais curtas. Acho que tem todos os ingredientes de que eu preciso para treinar a meu gosto.

Acha que um ciclista não profissional conseguiria treinar nessas condições?

É o que eu gosto, no entanto não posso aconselhar os outros ciclistas a fazerem o mesmo. Cada um sabe das suas limitações, mas quem for à Serra da Estrela tem de ter noção do que está a fazer, pode ser bastante perigoso.

Disputou-se o Famalicão Challenge onde participou uma equipa chamada Clube do Tiago Machado…

O CTM é um clube de amigos meus, em conjunto com o meu irmão, que não deixa de ser meu amigo...(risos).

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Esse grupo surgiu numa iniciativa de apoio dos meus amigos, porque quando estamos lá em cima todos se lembram de nós, mas quando corre mal, como em 2013, são esses que me dão valor. Então decidimos criar um clube. Eles treinam quando podem, mas o objectivo é apenas participar e desfrutar das competições ao máximo.

Acha que Famalicão está bem encaminhado no #Ciclismo amador?

Está, temos muitos ciclistas, mas acho que muitas vezes não têm noção da realidade. É bom, porque o ciclismo está vivo e isso também nos motiva.

Famalicão tem as condições ideais para praticar ciclismo amador?

Temos o Parque da Devesa, que é onde termino os meus treinos; temos boas estradas nos nossos subúrbios; temos excelentes montes para o BTT; temos tudo o que é necessário para desfrutarmos da bicicleta. Só é pena a ciclovia não estar concluída. Há tanto tempo que se fala dela ficar pronta, mas ainda não está. Acho que burocracias estão a atrapalhar o desenvolvimento da mesma, mas resta-nos aguardar e tentar desfrutar de onde pudermos andar.